Mais Além do Meu Olhar - Todo Espírita Deve Ler!

Clique Aqui e baixe o PDF do Livro!

CAPITULO 5 
DIRETRIZES DAS TREVAS 

Ainda em Babilônia Escarlate, Josué ordenou que mudássemos de caminho. Logo deparamos com uma casa em ruínas, como essas demolidas, porém no seu interior tudo era muito bonito. Recordei-me, então, de certas casas onde tudo é desalinho: roupas no chão, vasilhas sujas na pia, lixo pelos cantos. Como os Espíritos inferiores adoram sujeira! Casa limpa significa fluidos salutares; casa desarrumada é pasto de Espírito inferior. 

“Gozado, lá fora tudo em ruínas e aqui este oásis” - pensei. 

Encontrava-me apreensivo. Nisso, apareceu Landy, que mandou que sentássemos no centro da sala para recebermos um banho de fluidos magnéticos. 

? Por que isso é necessário? Estamos em tratamento? perguntei a Camélia. 

? Sim, precisamos ficar invisíveis. Nenhum habitante pode-nos ver. ? 

Que bom! Que ótimo! 

Lilian sorriu. 

? Gostou, boneca? 

? Luiz Sérgio, espere para ver. Tenho a certeza de que vem chumbo grosso. 

? Ai, que medo! Cuida de mim, boneca? - e Lilian, querida menina, tão nossa companheira, abraçou-me com carinho. 

Landy deu muitas instruções a Josué, Camélia e Juanito, que apenas sacudiam as cabeças. Depois, despediram-se. 

Olhamos o grupo. Para mim, ninguém estava invisível. Hilário, rindo, explicou: 

? Luiz, só não seremos vistos por eles, os doentes. 

? Obrigado, amigo, estava sem compreender nada.

Antes de sairmos, Josué fitou aquele lugar que, como num passe de mágica, desmaterializou-se. Víamos agora a carcaça de uma casa em ruínas.

Gostaria de perguntar muitas coisas, mas achei por bem me calar. 

Nisso, chegamos a um prédio antigo, que estava muito bem guardado. Jessé caminhava na frente e mandou que passássemos. E assim o fizemos. Como sempre, o papai aqui ficou por último.

Eu tentava reparar cada detalhe daquele lugar, quando, olhando-me firmemente, Jessé alertou: 
? Rápido, para não soar o alarme.

Nem preciso dizer o salto que dei. A casa, ou prédio, tinha o seguinte aspecto: entrada: Todas as cadeiras eram roxas e douradas. As paredes, amarelas. Ficamos bem na frente e o chefe iniciou as advertências.. Era um senhor de seus cinqüenta anos e nos pareceu grande conhecedor do Evangelho: 

“Precisamos estudar o evangelho do cordeiro para melhor chegar aos fanáticos encarnados. Nada melhor do que um texto do evangelho bem estudado para deslumbrar multidões. Hoje estudaremos a morte do cordeiro. Vamos lembrar Caifás, o sumo sacerdote. Ele era homem orgulhoso e cruel, dominador e intolerante. Havia, entre suas ligações de família, saduceus orgulhosos, ousados, resolutos, cheios de ambição e crueldade, que se ocultavam sob o manto de pretendida justiça. Caifás; estudava as profecias. Conquanto ignorante de sua real significação, declarou, com grande segurança e autoridade:” Convém que um homem morra, e não seja prejudicada a nação. Mesmo que Jesus seja inocente, deve ser afastado do nosso caminho”. Caifás era perturbador, arrastava o povo após si e demandava a autoridade dos outros sacerdotes. Jesus estava enfurecendo o Sinédrio e o povo estava perdendo a confiança nos sacerdotes. Caifás argumentava que o momento era aquele, que o Sinédrio não podia deixar que os servidores de Jesus se revoltassem: “ Com eles virão os romanos e aí fecharão nossos templos e abolirão nossas leis, destruindo-nos corno nação” . {Que vale a vida desse homem? falou Caifás. {Ele é um obstáculo a Israel. É bom que pereça.} Declarava Caifás que um homem deveria morrer. Ele tinha certo conhecimento das profecias, se bem que muito limitado. o mesmo precisamos nós: ter um pouco de conhecimento das Escrituras. Temos de fazer como Caifás, em cujos lábios tomava-se mentirosa essa perigosíssima verdade. A política de Caifás baseava-se num princípio tomado emprestado ao paganismo. Entre os gentios, a vaga consciência de que alguém devia morrer pela Humanidade levava à oferta de sacrifícios humanos. Assim, propôs Caifás o sacrifício do Cristo. Com isso, queria salvar o povo, a fim de que esse povo continuasse no erro. Nesse concilio, experimentavam os inimigos do Cristo profunda convicção. O “Espírito Santo” lhes impulsionava a mente.

Continuou o pregador: ? ”O que temos de fazer hoje: buscar os fanáticos para levá-los ao erro. É nossa vingança. Queremos junto a nós mentes mais perversas. Jesus pusera à margem o sacerdócio, recusando-se a reconhecer a teologia das escolas dos rabis. Hoje nosso maior inimigo não é o Cristo, é a Doutrina Espírita. Ela tira a venda dos olhos dos encarnados, que tudo analisam. Como Jesus, a Doutrina Espírita alerta contra as más práticas dos sacerdotes e sobre o perigo das influenciações. Nós, a falange das trevas, somos o satanás de ontem, que mandou matar Jesus. Como ontem, o Sínédrio recebeu as palavras de Caifás como palavras de Deus. Nós, hoje, também podemos fazer o mesmo. Basta saber colocar em nossos ombros a carga do conhecimento. Naquele tempo, o Sinédrio e o povo rejeitavam a prova da divindade de Jesus. Hoje podemos fazer o mesmo e levar a Humanidade a rejeitar a divindade de Jesus, influenciando sacerdotes, pastores, médiuns, enfim, os religiosos” a condenar o Cristo novamente à morte. E aí teríamos ao nosso lado esses crentes, em trevas impenetráveis. Ficariam inteiramente sob nosso domínio; seriam precipitados no abismo da eterna ruína. Se o Cristo foi rejeitado por seu povo em Nazaré e condenado sem causa à morte em Jerusalém, o que não podemos fazer contra seus seguidores? Hoje, os verdadeiros espíritas são tocados pela miséria humana. Às vezes curam enfermos, podem até restituir a vista aos cegos, a audição aos surdos, a fala aos mudos, alimentam os famintos, confortam os contristados. Portanto, são eles a nossa meta. ? Influenciaremos somente os espíritas? perguntou um dos assistentes. - Não. Em todos os templos devemos estar presentes. A vaidade deve ser aguçada, o orgulho fermentado cada vez mais. Devemos levar a mentira aos corações orgulhosos. Nem respirávamos, tão apatetados estávamos naquele auditório das trevas. O orador tinha grande conhecimento das imperfeições humanas e orientava seus seguidores a levar até o plano físico o desespero. ? Como se chama a figura? perguntei a Josué. ? Said. E o orador continuou: ? Agora, gostaria que se separassem em grupos e buscassem as salas de estudo, onde aprenderão a maneira de dominar os encarnados, nunca esquecendo que as casas religiosas são os lugares onde devemos atuar. Todas elas pregam o amor, e a maneira de destruí-las é fazer os encarregados das almas só pensar em dinheiro. Ele, o dinheiro, é o nosso grande aliado, com ele devemos contar. Um dos assistentes perguntou: - Devemos buscar somente os espíritas ou também os de outras crenças? ? Todos aqueles que procuram melhorar o homem. Outro Espírito da platéia levantou a mão: ? É difícil enganar os verdadeiros espíritas.

- Você é que pensa. Já tiramos de Centros Espíritas pessoas que amavam a Doutrina Espírita, mas fizemos com que se aborrecessem com os companheiros e se sentissem injustiçados. Devemo-nos infiltrar também nas igrejas, enfim, em qualquer templo. Hoje, nossa proposta é a de levar a desunião até os seguidores do cordeiro. Quando nos sentirmos fracos, busquemos a figura do Cristo de Deus: ele, diante de seus torturadores, manso e paciente, representava o bem sendo vencido pelo mal. É o que hoje estamos fazendo: somos satanás contra as obras do Cristo. Lembrem-se das gotas de sangue da agonia que lhe corriam pelo rosto da fronte ferida. Se ele tombou, o que não faremos aos seus seguidores? Nada nos aborrece mais do que ver que todos os maus-tratos infligidos ao cordeiro não lhe forçaram os lábios a soltar uma só queixa. Ele suportou, porém, como são fracos aqueles que batem no peito dizendo-se seus seguidores! É fácil intuir os encarnados para o mal. Eles são muito sensíveis, detestam qualquer reprimenda. Devemos dificultar a ida deles à casa religiosa, atrapalhar seus trabalhos e, quando advertidos, fazer com que saiam, sentindo-se ofendidos. Quando nos sentirmos acuados, recordemo-nos de Pilatos: foi ele quem entregou Jesus para ser açoitado e escarnecido, julgando despertar piedade da multidão. Teve esperança de que acalmasse a piedade da turba. Pilatos julgava que esse castigo seria suficiente. As trevas agiam, levando a multidão ao delírio. Os sacerdotes notaram que Pilatos estava procurando salvar a vida do preso e decidiram que Jesus não seria solto. Quando Pilatos mandou levar Jesus para o pátio, disse, em tom solene: “Eis aqui o homem. Eis aqui, vo-lo trago fora, para que saibais que não acho nele crime algum” . Imaginem o trabalho das trevas, o Cristo estava para ser salvo! Aqui é que entraram as organizações como a nossa. Foram elas que levaram Judas, Pilatos e Caifás à vitória.

Hoje aqui estamos para recordar-lhes de que devemos nos organizar para atuar junto deles. Temos grandes vultos, criaturas que nos ajudam a destruir o bem. Quem prega o evangelho só se lembra da vitória do Cristo; temos de glorificar Caifás, Pilatos e outros, dentre eles Judas. Judas apresenta o triste fim de uma vida que poderia ter sido honrada por Deus. Mas ele preferiu ouvir as trevas. Uns dizem que Judas morria de ciúmes dos apóstolos; sempre se sentiu preterido aos outros. Na primeira oportunidade, renovou seu trato com os sacerdotes para entregar Jesus. Combinou-se, então, que Jesus fosse aprisionado imediatamente, no retiro onde costumava ir para orar e meditar. Desde a festa em casa de Simeão, tivera Judas oportunidade de refletir no ato em que concordara praticar, mas seu propósito permaneceu irredutível. Por trinta moedas de prata - o preço de um escravo - venderia o Senhor. E aqui o orador alteou a voz: ? O dinheiro, gente! O dinheiro derruba o crente! O amor a Mamon sobrepujará o amor ao Cristo. Judas ouviu as trevas, mesmo sendo um dos discípulos, quando as multidões seguiam o Cristo. Os ensinos lhe tocaram o coração. Judas via os doentes, os coxos e os cegos aglomerarem-se em tomo de Jesus, vindos de aldeias e cidades. Via os moribundos que lhe depunham aos pés. Testemunhou as poderosas obras de Jesus na cura dos enfermos, na expulsão dos demônios, na ressurreição dos mortos. Mesmo assim, não ficou isento do nosso assédio. Reconhecia ser um dos seguidores do Cristo, seguia a tudo, dizia amar o Mestre e gostava de estar com ele. Só que tivera desejo de transformar o mestre e não de ser transformado. Isso acontece muito entre os freqüentadores de um templo ou de uma casa espírita. Jesus dera-lhe lugar entre os doze, confiando-lhe a obra de apóstolo. Dotou-o de poder para curar os doentes e expulsar os demônios, mas Judas não chegou ao ponto de render-se intimamente ao Cristo. Não renunciou às ambições terrenas nem ao amor ao dinheiro. Judas gostava de criticar e acusar companheiros; era altamente considerado pelos discípulos e exercia sobre eles grande influência, mas julgava todos inferiores a si, no discernimento e na capacidade. Sempre dizia que o Cristo não seria um vitorioso tendo ao lado pessoas simples. Pedro, Judas o considerava um grosseirão; João Evangelista, que amava ao Cristo de todo o coração, era olhado por Judas como um fraco. João entesourava as verdades saídas dos lábios do Cristo e isso enciumava Judas. Como encontramos pessoas assim em muitos lugares, que morrem de ciúme daqueles que estão mais perto do líder! Judas estava cego para a fraqueza de seu coração, mesmo o Cristo tendo-o colocado onde pudesse ter oportunidade de ver e corrigir isso. Como tesoureiro dos discípulos, era chamado a providenciar quanto às pequenas necessidades do grupo e a suprir as suas carências. Servindo aos outros, Judas podia ter desenvolvido espírito abnegado. Porém, ao passo que ouvia diariamente as lições do Cristo e testemunhava a vida santa do Mestre, Judas se preocupava com a vida dos outros e os erros alheios. As Pequenas quantias que lhe chegavam às mãos eram uma tentação contínua. Muitas vezes, ao prestar qualquer serviço ao Cristo, ao dedicar tempo a fins religiosos, remunerava-se às custas desses parcos fundos, e sempre que desempenhava algum trabalho, pensava Judas que tinha algum direito perante Deus. Judas lesava uma ordem religiosa!...

Nesse ponto fez uma pausa: - Estou contando isso para deixá-los a par de que nas consciências existem muitas tendências, só precisamos acordá-las. Foi o que fizeram as trevas, ao influenciar Judas. Quando o Cristo recusou dar um sinal do céu para o Sinédrio, surgiu a incredulidade em Judas e as trevas forneceram-lhe pensamentos de dúvida e rebelião. Isso acontece com freqüência nas casas espíritas. Quando a pessoa está em nossas mãos, começa a faltar a grupos, a família cobra atitudes, tudo acontece na vida dela, que não percebe estar saindo de perto do mestre. Judas queria um lugar de destaque ao lado do Cristo, porém, presenciando a humildade de Jesus, decepcionou-se e começou a duvidar de que o Cristo fosse o Filho de Deus, mesmo presenciando suas obras. Ao ter a certeza de que o Cristo desprezava as coisas terrenas, revoltou-se, pois queria a glória da terra. Quando Jesus apresentou ao jovem rico as condições do discipulado, Judas ficou desgostoso. Pensava: “como é que ele não aproveita a riqueza do jovem rico para ajudar a sua obra?” Se Judas fosse admitido como conselheiro, poderiam surgir propostas para a prosperidade da doutrina do Cristo. Judas julgava-se mais sábio do que Jesus, graças à sua ligação com as trevas. Em tudo o que o Cristo dizia aos discípulos, havia qualquer coisa com a qual, no seu âmago, Judas não concordava. Sob a influência das trevas, rápido progresso fazia o fermento da deslealdade. Prestem atenção - falou com ênfase -, existem muitas pessoas assim, que chegam às casas espíritas e começam a fermentar a discórdia, falam do presidente do centro, dos médiuns, enfim, somente elas são as corretas. Aí nós entramos, são as pessoas certas para nós. Dizem que o Cristo sabia o que se passava no coração de Judas. Conhecemos médiuns que também lêem o coração dos traidores, por isso, devemos estar atentos, agindo rapidamente, tentando derrubar as casas espíritas ou religiosas. Judas era observado por Jesus. Um dia, o Cristo disse: “Não vos escolhi a vós os doze? Um de vós é o diabo” . Judas, mesmo às vezes contrariado com Jesus e com os apóstolos, sabia fingir, até que não agüentou mais o orgulho ferido e o desejo de vingança derrubou as barreiras, dominando-o a ganância com que por tanto tempo condescendera. Porém, queridos companheiros, será sempre assim com todo aquele que se permitir em comprazer com o erro. ? ”Continuando nossa história, queremos que vocês se lembrem de que nosso trabalho é destruir grupos que amam ao Cristo, dispersar o seu rebanho. Judas percebeu que tinha levado seu erro longe demais. No julgamento, não pode suportar a tortura de sua consciência culpada. De súbito, soou pela sala sua voz rouca, que produziu em todos os reunidos um frêmito de terror: “ele é inocente; poupa-o, ó, Caifás” . E Caifás viu a alta figura de Judas comprimindo-se por entre a multidão. Tinha o rosto pálido e descomposto e borbulhavam-lhe na fronte gotas de suor. Precipitando-se para o trono do juízo, atirou perante o sumo sacerdote as moedas de prata, preço de sua traição. Agarrando-se, desesperadamente, às vestes de Caifás, implorou-lhe que soltasse Jesus. Caifás repeliu-o, zangado, e Judas tombou, gritando: “Pequei, traindo sangue inocente!” o sacerdote respondeu, indiferente: “Que nos importa?” Agora, o mesmo lhes digo: O que nos importa o remorso daqueles que ajudamos a ficar afiliados às suas tendências? Contamos várias histórias, querendo lembrar a vocês que nossa organização propõe-se a dispersar e destruir grupos religiosos. Queremos que vocês analisem cada pessoa, principalmente as que mais trabalham, e ao encontrarem seus defeitos, coloquem sal e fel em seus corações. Não, se enganem, os espíritas devem ser os primeiros a ser tentados. Eles são perigosos, muito perigosos. Lembrem-se de que nossa força é que nos toma vitoriosos.” Eu me encontrava petrificado. ? Como pode isso acontecer? perguntei a Camélia. ? Para nossa tristeza, nas Casas Espíritas ainda encontramos pessoas invejosas, maledicentes e avaras. Quando os Espíritos começam a lhes alertar, vem o ódio e a fuga da Casa. Quantos Judas já compuseram a história dos médiuns conhecidos no mundo físico! Achamos mesmo que os médiuns e os presidentes de Centros Espíritas são os mais visados. Conhecemos pessoas que trabalham em Casas Espíritas e que de repente começam a andar para trás. Quando alertadas, saem falando mal do Centro. ? Irmã, é inacreditável o que assistimos. Como pode uma pessoa se dizer espírita e se deixar levar por esses irmãos?

? Luiz, os melindres fazem parte da imperfeição humana e estão em toda parte. Graças a eles as trevas se alimentam. Vamos relembrar, em O Evangelho Segundo o Espiritismo CAPITULO XX - {Os trabalhadores da última hora a mensagem} {Os obreiros do Senhor}: 

Aproxima-se o tempo em que se cumprirão as coisas anunciadas para a transformação da Humanidade. Ditosos serão os que houverem trabalhado no campo do Senhor, com desinteresse e sem outro móvel, senão a caridade! Seus dias de trabalho serão pagos pelo cêntuplo do que tiverem esperado. Ditosos os que hajam dito a seus irmãos: “Trabalhemos juntos e unamos os nossos esforços, afim de que o Senhor, ao chegar, encontre acabada a obra“ , porquanto o Senhor lhes dirá: 

“ Vinde a mim, vós que sois bons servidores, vás que soubestes impor silêncio aos vossos ciúmes e às vossas discórdias, a fim de que daí não viesse dano para a obra! “ Mas, ai daqueles que, por efeito das suas dissensões, houverem retardado a hora da colheita, pois a tempestade virá e eles serão levados no turbilhão! Clamarão: “ Graça! graça!” o Senhor, porém, lhes dirá: “ Como implorais graças, vós que não tivestes piedade dos vossos irmãos e que vos negastes a estender-lhes as mãos, que esmagastes o fraco, em vez de o amparardes? Como suplicais graças, vós que buscastes a vossa recompensa nos gozos da Terra e na satisfação do vosso orgulho? Já recebestes a vossa recompensa, tal qual a quisestes. Nada mais vos cabe pedir, as recompensas celestes são para os que não tenham buscado as recompensas da Terra. “ Deus procede, neste momento, ao censo dos seus servidores fiéis e já marcou com o dedo aqueles cujo devotamento é apenas aparente, a fim de que não usurpem o salário dos servidores animosos, pois aos que não recuarem diante de suas tarefas é que ele vai confiar os postos mais difíceis na grande obra da regeneração pelo Espiritismo. Cumprir-se-ão estas palavras: “ Os primeiros serão os últimos e os últimos serão os primeiros no reino dos céus. “ } - {o Espírito de Verdade } (Paris, 1862). 

.Confesso que me encontrava muito preocupado, pois a cada dia vemos irmãos caindo, por não vigiar e orar. 

Quando já estávamos fora daquele estranho lugar, senti vontade de gritar bem alto, para ser ouvido por todos os espíritas: cuidado com a língua, ela pode estar sendo o microfone dos trevosos! 

Lilian sorriu e comentou: 

? Luiz Sérgio, não entendemos por que muitos chegam à Casa Espírita e não aproveitam a grande oportunidade de se educar. Em uma boa Casa Espírita as lições são propícias e como ajudam o homem a se espiritualizar! Mas os orgulhosos chegam e apenas as frequentam, nada acrescentando de melhoria em suas vidas. A caridade é por eles praticada como se em suas mãos tivessem um conta-gotas e, quando fazem algo de bom, tocam as trombetas! 

? Tem razão, Lilian. Mesmo já tendo vivido dramáticas horas, o homem avarento adentra a Casa Espírita e não dá socorro ao próximo, continuando endurecido e ausente. Essas pessoas demorarão em fazer parte da caravana que nos leva a Deus. 

- Luiz, dizem alguns Espíritos amigos: a caridade acaba quando é aplacada a saudade. 

? Lilian, é difícil para uma família que estava longe da Espiritualidade defrontar-se, de repente, com um ente querido desencarnado sendo levado para ela. Aí, acorda e pensa: “ Não é que existe um lugar para onde vão os que morrem?” Com esta indagação, inicia-se a jornada da família. Ouviu falar de Espiritismo, mas nada conhece dele. Julga ser um lugar de oferendas, onde tudo se paga, sem parar para analisar que está na hora de reformular seus valores; que posição social, emprego, contas bancárias, conforto, tudo fica quando a “ morte” chega. No início vem a euforia. Querem dar tudo, trabalham, enfim, parecem bons trabalhadores. Aí vão diminuindo as idas à Casa Espírita, até não voltarem mais.

? Mas não são todos assim, não é, Luiz?

? Infelizmente é a maioria, Lilian. Poucos aprendem a lição da dor e buscam o mundo maravilhoso do Espírito. Quantas famílias continuam avaras e longe da caridade! Esta, para elas, é bem difícil de ser feita. Quando doam, são migalhas imprestáveis de seus lares.

? Não compreendemos como pode alguém chegar a uma Casa Espírita, ver todo mundo trabalhando e cruzar os braços; todos doando e ele os ignorando. Como pode isso acontecer, Luiz? 

? Há pouco ouvimos a conversa dos trevosos. A alma humana ainda está repleta de egoísmo e ele é o fermento que o mal encontra em nós para crescer.

? Você tem razão, Luiz. Muitas famílias chegam desesperadas à Casa Espírita, mas à medida que vêem passar o tempo, sem obterem mensagens, vão diminuindo a freqüência, até se retirarem. E o pior é que sempre saem com mágoa, pois os médiuns ou a Casa nada acrescentaram às suas vidas. Os líderes religiosos são olhados como fanáticos, pois estão na vida e, na sua opinião, não a aproveitam. Fico muito triste, Luiz, quando presencio tudo isso, e recordo o Mestre pregando aos coxos e estropiados.

- Não esqueça que também Ele teve de lutar contra os materialistas e ainda hoje eles ganham espaço. O Espiritismo pode fazer muito pelos encarnados, todos devem ser elucidados de que fora da caridade não há salvação porém basta os Espíritos alertarem os encarnados, para começar a debandada. Ninguém gosta de ouvir verdades.

? São esses disse-que-disse - falou Hilário - que servem de anzol para que os trevosos os pesquem. Comecem a notar como se inicia a insatisfação do encarnado com a Casa Espírita: o Espírito fala e ele acha que a carapuça lhe serviu. Aí, iniciam-se os comentários com os companheiros que também não são assíduos e estes, muitas vezes, aproveitam para aumentar a maledicência. Geralmente, quando saem da Casa Espírita, formam grupos isolados.

Dificilmente ficam sozinhos, sempre se juntam, fundando uma Casa Espírita ou buscando uma, onde menos lhes é cobrado. Aí, recordamos o apóstolo Paulo, na Primeira Epístola aos Corintios CAPITULO 6, versículo 12, quando disse: {tudo me é permitido, mas nem tudo me convém.} Como tinha razão! O espírita deve buscar uma Casa para {trabalhar} e não apenas para orar. O caminho do verdadeiro espírita é o caminho estreito de Jesus; é nele que, à medida que vai-se estreitando, o homem tem de ir despojando-se de suas iniquidades.

? Hilário, essa palestra foi um alerta para os eternos queixosos. 

? O verdadeiro trabalhador, Luiz Sérgio, não tem tempo para melindres. Não foram os que se melindraram que escreveram a história da Doutrina. Ela foi e continua sendo escrita por aqueles que se entregaram ao trabalho do Cristo e que, muitas vezes alquebrados e sofridos, não deixam de caminhar. 

? Tenho urna pena dos fofoqueiros religiosos!...

- Fofoqueiros religiosos, Lilian?

? Sim, Luiz, aqueles que nada fazem e, por não se manterem ocupados, pregam a desarmonia e sempre se fazem de vítimas. Agora compreendi por que em algumas Casas Espíritas existe um grupinho desses. 

Não pude deixar de rir, pois Lilian tem razão. Geralmente são almas afins que se agrupam, querendo deixar a Casa Espírita, porém geralmente esses grupos logo se desfazem.

? Eles existem nas outras crenças? perguntei a Josué, que escutava a nossa conversa.

? Muito. Eles estão em todos os lugares, no trabalho, na rua, nos templos, enfim, são aqueles que se deixam levar pelo amor-próprio, dominados pelo orgulho. Vamos andando, irmãos. O que vocês acharam da palestra do Said?

? Foi um alerta para aqueles que não buscam a reforma íntima quando adentram uma Casa religiosa - respondeu Juanito. 

? Sabe o que mais me impressionou? Foi o conhecimento do Evangelho pelos trevosos. As Casas Espíritas precisam orientar seus frequentadores para o perigo do fanatismo. Primeiro passo para não ser enganado: estudo, estudo, estudo. A Casa não deve deixar o iniciante logo sentar-se a uma mesa mediúnica. Primeiro, prepara-se o aluno para ter disciplina. Se até os seres humanos tiveram de percorrer um longo caminho para serem Espíritos formados e receber o diploma do livre-arbítrio, por que só o Espiritismo não irá esclarecer seus seguidores de que, para bem servir, toma-se preciso ter conhecimento e, para conhecer, o aprendiz tem de chegar ao Centro e ser encaminhado ao estudo da Doutrina Espírita? Ir colocando, prematuramente, um aprendiz em uma mesa mediúnica dificilmente o tomará um bom espírita.

Nisso, eis que passou por nós um bando de Espíritos trevosos. Suas roupas negras nos pareciam de motoqueiros: blusas pretas, luvas e calças bem justas. Era cada figura! Braceletes de prata, brincos enormes nas orelhas. Ficamos observando-os e com espanto vimos um garoto de seus treze anos fazendo parte daquele bando de doentes. 

? Que fazem aqui? perguntei.

? Prestam a guarda - respondeu Camélia.

? Eles sabem que já desencarnaram?

- Claro que sabem, e sentem-se poderosos, pois até chicoteiam seus vassalos. 

? Vassalos?!

? Sim, Luiz Sérgio, os seus servos, os que trabalham para eles junto aos encarnados.

? Não ria, Juanito, mas será que os doidões encarnados não os vêem, principalmente quando estão “ chapados” ? 

? Claro que sim, e sentem-se felizes por isso.

? Foram dependentes de droga? 

? Foram, não, eles são dependentes e lutam por ela até influenciando os agricultores a plantarem a droga, enquanto os Raiozinhos de Sol intuem as autoridades para serem descobertas as plantações.

? Juanito, a cada dia o plano físico está ficando pior. A faixa etária das crianças está baixando cada vez mais, em relação ao consumo de tóxico. O que me diz disso?

? Tem razão. A briga do materialismo com a Espiritualidade Superior é muito grande, mas até quando? Até o final dos tempos, quando for feita a separação do joio e do trigo. Até lá, haverá falsos Cristos e falsos profetas. Por quanto tempo permitirão que essa juventude brinque com a vida? É com pesar que vemos os jovens fazendo coisas difíceis de imaginar. Ficamos impressionados com as roupas e os “piercings” colocados na língua, no nariz, nos órgãos genitais. Por que tanta loucura? 

Camélia, que estava nos guiando, mudou de itinerário e nos informou: ? Luiz, agora vamos conhecer um novo lugar, onde muitos terão as respostas, o porquê de tanta loucura na juventude.  

MAIS ALÉM DO MEU OLHAR pelo Espírito Luiz Sérgio psicografado por Irene Pacheco Machado 1.ª ed. - Brasília: Livraria e Editora Recanto, 2001. Este livro foi psicografado no ano de 1999. Página 57 - Clique Aqui e baixe o PDF do Livro!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Assine o Blog e Receba Orações por E-mail

Assista aos Vídeos: