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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

Haverá Falsos Cristos e Falsos Profetas

CAPÍTULO XXI
Haverá Falsos Cristos e Falsos Profetas

• Conhece-se A Árvore Pelos Seus Frutos
 •  Missão Dos Profetas • Prodígio Dos Falsos Profetas
 • Não Acreditem Em Todos Os Espíritos

Instruções Dos Espíritos:

• Os Falsos Profetas • Características Do Verdadeiro Profeta
• Os Falsos Profetas Da Erraticidade 
• Jeremias E Os Falsos Profetas



Conhece-se A Árvore Pelos Seus Frutos

1. A árvore que produz maus frutos não é boa, e a árvore que produz bons frutos não é má. Assim, cada árvore é conhecida pelo fruto que produz. Não se colhem figos dos espinheiros e nem cachos de uvas dos abrolhos. O homem de bem tira coisas boas do seu coração e o homem mau tira coisas ruins do seu coração, pois a boca fala daquilo que o coração está cheio. (Lucas, 6:43 a 45)

2. Jesus recomendou: "Guardem-se dos falsos profetas que, por fora, se disfarçam de ovelhas e que, por dentro, são lobos que roubam. Vocês os reconhecerão por seus atos. Por acaso se pode colher uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore que é boa produz bons frutos, e toda árvore que é má produz maus frutos. Uma árvore boa não pode produzir frutos ruins, e uma árvore má não pode produzir frutos bons. Toda árvore que não produz bons frutos será cortada e lançada ao fogo. Vocês a reconhecerão pelos seus frutos." (Mateus, 7:15 a 20).

3. Jesus disse: "Tomem cuidado para não serem enganados, pois vários virão em Meu nome dizendo: 'Sou o Cristo' e enganarão muita gente. Vários falsos profetas se levantarão e enganarão muitas pessoas, e a caridade, em muitos, se esfriará, porque a injustiça se multiplicará. Mas aquele que perseverar até o fim, será salvo.". "Então, se alguém disser: 'O Cristo está aqui, ou está ali', não acreditem, pois irão se levantar falsos cristos e falsos profetas que farão grandes prodígios e coisas espantosas, a ponto de enganar, se fosse possível, até mesmo os escolhidos." (Mateus, 24:4 e 5, 11 a 13, 23 e 24; Marcos, 13:5 e 6, 21 e 22).


Missão Dos Profetas

4. É comum atribuir-se aos profetas o dom de revelar o futuro e, por isso, as palavras profecia e predição tornaram-se sinônimos. No sentido evangélico, a palavra Profeta tem um significado mais amplo. Os Profetas são seres enviados por Deus, com a missão de instruir os homens e de revelar a eles as verdades do Mundo Espiritual. Assim, um homem pode ser Profeta sem fazer profecias, e essa era a ideia dos judeus, no tempo de Jesus. Eis por que, quando Jesus foi levado à presença do sumo sacerdote Caifás, os escribas e os anciãos, que ali estavam reunidos, Lhe cuspiram no rosto, Lhe deram socos e bofetadas, dizendo: "Cristo, profetiza e diz quem foi que Lhe bateu.". Entretanto, existiram Profetas que previram o futuro por intuição ou por revelação de Espíritos superiores, com a finalidade de prevenir os homens. Como suas previsões aconteceram, o dom de adivinhar o futuro foi considerado como sendo um dos atributos que os Profetas precisavam possuir.


Prodígio Dos Falsos Profetas

5. Jesus advertiu: "Surgirão falsos cristos e falsos profetas que farão grandes prodígios e coisas surpreendentes, a ponto de enganar, se fosse possível, até mesmo os escolhido.". Esta advertência alerta para o verdadeiro sentido da palavra prodígio. No estudo dos textos sagrados, os prodígios e os milagres são fenômenos excepcionais que se situam fora das Leis da Natureza. Sendo obra exclusiva do Criador, essa Leis somente por Ele podem ser alteradas, se assim Ele o quiser. O simples bom senso nos diz que Deus não daria a seres malvados e inferiores um poder igual ao Seu, e, menos ainda, o direito de desfazerem Suas Leis. Cristo não pode ter aprovado tal princípio. Pelas palavras de Jesus, o Espírito do mal teria o poder de fazer prodígios, pelos quais até mesmo os escolhidos seriam enganados. Disso resulta que, se o Espírito do mal pode fazer o que Deus faz, os prodígios e os milagres não são obras exclusivas dos enviados de Deus. Assim, esses fenômenos nada provam, pois nada distingue os milagres que são feitos pelos santos, dos milagres que são feitos pelos demônios. Portanto, é preciso procurar um sentido mais lógico para as advertências de Jesus.

Aos olhos do povo menos esclarecido, todo fenômeno cuja causa é desconhecida passa a ser algo sobrenatural, maravilhoso e miraculoso. Uma vez conhecida a causa, o fenômeno, por mais extraordinário que possa parecer, nada mais é do que a aplicação de uma Lei da Natureza. Assim, os fatos sobrenaturais vão diminuindo à medida que o conhecimento das Leis Científicas se ampliam. Em todas as época, os homens exploraram certos conhecimentos que os habilitaram a executar uma suposta missão Divina. ou usufruir de um poder supostamente sobre-humano. Faziam isso por ambição e pelo desejo de dominação.

Esses são os falsos cristos e os falsos profetas. A propagação dos conhecimentos acaba por desacreditá-los, eis por que seu número diminui à medida que os homens se esclarecem. O fato de realizarem o que algumas pessoas consideram prodígios não é sinal de uma missão Divina, visto que pode ser o resultado de conhecimentos que qualquer um pode adquirir, ou de faculdades orgânicas especiais, que podem acompanhar tanto o mais digno, quando o mais indigno. O verdadeiro Profeta se reconhece por características mais sérias, e que são, esclusivamente, de ordem moral.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Introdução (IV – Sócrates e Platão, precursores da ideia cristã e do Espiritismo)


Do fato de haver Jesus conhecido a seita dos essênios, fora errôneo concluir-se que a sua doutrina hauriu-a ele dessa seita e que, se houvera vivido noutro meio, teria professado outros princípios. As grandes ideias jamais irrompem de súbito. As que assentam sobre a verdade sempre têm precursores que lhes preparam parcialmente os caminhos. Depois, chegando o tempo, envia Deus um homem com a missão de resumir, coordenar e completar os elementos esparsos, de reuni-los em corpo de doutrina. Desse modo, não surgindo bruscamente, a ideia, ao aparecer, encontra espíritos dispostos a aceitá-la. Tal o que se deu com a ideia cristã, que foi pressentida muitos séculos antes de Jesus e dos essênios, tendo por principais precursores Sócrates e Platão. 

Sócrates, como o Cristo, nada escreveu, ou, pelo menos, nenhum escrito deixou. Como o Cristo, teve a morte dos criminosos, vítima do fanatismo, por haver atacado as crenças que encontrara e colocado a virtude real acima da hipocrisia e do simulacro das formas; por haver, numa palavra, combatido os preconceitos religiosos. Do mesmo modo que Jesus, a quem os fariseus acusavam de estar corrompendo o povo com os ensinamentos que lhe ministrava, também ele foi acusado, pelos fariseus do seu tempo, visto que sempre os houve em todas as épocas, por proclamar o dogma da unidade de Deus, da imortalidade da alma e da vida futura. Assim como a doutrina de Jesus só a conhecemos pelo que escreveram seus discípulos, da de Sócrates só temos conhecimento pelos escritos de seu discípulo Platão. Julgamos conveniente resumir aqui os pontos de maior relevo, para mostrar a concordância deles com os princípios do Cristianismo. 

Aos que considerarem esse paralelo uma profanação e pretendam que não pode haver paridade entre a doutrina de um pagão e a do Cristo, diremos que não era pagã a de Sócrates, pois que objetivava combater o paganismo; que a de Jesus, mais completa e mais depurada do que aquela, nada tem que perder com a comparação; que a grandeza da missão divina do Cristo não pode ser diminuída; que, ademais, trata-se de um fato da História, que a ninguém será possível apagar. O homem há chegado a um ponto em que a luz emerge por si mesma de sob o alqueire. Ele se acha maduro bastante para encará-la; tanto pior para os que não ousem abrir os olhos. Chegou o tempo de se considerarem as coisas de modo amplo e elevado, não mais do ponto de vista mesquinho e acanhado dos interesses de seitas e de castas. Além disso, estas citações provarão que, se Sócrates e Platão pressentiram a ideia cristã, em seus escritos também se nos deparam os princípios fundamentais do Espiritismo.

Resumo da doutrina de Sócrates e de Platão