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segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Ofensas



Francisco Xavier - Bordeaux, 1861.

14 - Que juízo farão de mim, se eu  me recusar a tirar satisfação daquele que me ofendeu? Os loucos e os homens atrasados, como vocês, irão me censurar. Porém, aqueles que são esclarecidos, intelectual e moralmente, dirão que eu agi com muita sabedoria. Reflita um pouco: por uma palavra inofensiva, muitas vezes, dita sem querer, seu orgulho fica machucado e, ao responder de maneira agressiva, acontece a provocação. Antes que chegue o momento de tomar uma atitude decisiva, pergunte a si mesmo: "Será que agir como cristão? Se você eliminar da sociedade um de seus membros, como explicará isso? Como alguém poderá não sentir remorso em tirar de uma mulher, o seu marido, de uma mãe, o seu filho, das crianças, o seu pai e com ele, o sustento delas?".

Certamente, aquele que ofendeu deve uma satisfação. Não seria muito mais honroso para ele reparar a ofensa espontaneamente, reconhecendo seu erro? Por que, então, arriscar a vida daquele que tem o direito de se queixar, convidando-o para um duelo? Concordo que, algumas vezes, o ofendido pode sentir-se seriamente atingido, seja em seu amor-próprio, seja em relação aos que lhe são caros. Não é somente o amor-próprio que está em jogo, o coração também está ferido e sofrendo muito. Ainda assim, é uma estupidez arriscar a vida contra um miserável capaz de praticar infâmias. Mesmo que ele venha a morrer, por acaso a afronta deixará de existir? O sangue derramado chamará ainda mais atenção sobre o fato, pois, se ele for falso, cairá por si mesmo no esquecimento, e se for verdadeiro, melhor seria que ele ficasse no silêncio. Nesse caso, só restaria a satisfação da vingança executada, nada mais. Triste satisfação, que já nesta vida deixa insuportáveis remorsos! E se o ofendido morrer, onde ficará a reparação da ofensa?

Quando a caridade for a regra de conduta entre os homens , eles deverão ajustar seus atos e palavras ao ensinamento  de Jesus: "Não façam aos outros o que não gostariam que os outros fizessem a vocês". Quando isso acontecer, desaparecerão todas as causas de desavenças, e, com elas os duelos e também as guerras, que são duelos entre povos!



O Evangelho Segundo o Espiritismo | Allan Kardec | Por Claudio Damasceno Ferreira Junior | Capítulo 12 | Página 156 | Bem-aventurados os Mansos e Pacíficos

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

A Paciência


Um Espírito amigo - Havre, 1862

7 - A dor é uma bênção que Deus envia a seus eleitos. Portanto, não se aflijam quando sofrerem, pelo contrário, bendigam a Deus Todo-Poderoso que, através da dor neste mundo, concede a oportunidade para que possam evoluir. Vocês foram os escolhidos para entrar no Reino de Deus.

Sejam paciente. A paciência também é caridade e devem praticar a Lei da Caridade ensinada pelo Cristo, que foi enviado por Deus. A caridade que consiste em dar esmola ao pobres é a mais fácil de todas. Existe outra, bem mais difícil e, por consequência, bem mais meritória, que é a de perdoar aqueles a quem Deus colocou em nosso caminho para serem os instrumentos de nossos sofrimentos e colocar à prova nossa paciência.

Sei que a vida é difícil. Ela pode ser comparada a mil alfinetadas, que acabam por ferir. Se considerarmos os deveres que nos são impostos e as consolações que recebemos em troca, veremos que as bênçãos são mais numerosas do que as dores. O fardo parece mais leve quando se olha para o alto do que quando se curva a fronte para a Terra.

Coragem, amigos! O Cristo é o modelo de todos. Ele sofreu mais do que qualquer um e não tinha nada do que ser acusado. Já no caso de vocês, existe um passado de culpas a resgatar e um futuro a modificar. Sejam pacientes, sejam Cristãos, essa palavra resume tudo.

O Evangelho Segundo o Espiritismo | Allan Kardec | Por Claudio Damasceno Ferreira Junior | Capítulo 9 | Página 123 | Bem-aventurados os Mansos e Pacíficos

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

O Duelo - Um Espírito Protetor - Bordeaux, 1861




13 - O duelo, que antigamente era chamado de julgamento de Deus, é um desses costumes bárbaros que ainda têm vestígios na sociedade. O que diriam se vissem dois adversários mergulhados em água fervente ou em contato com um ferro em brasa, para resolverem suas questões e dar ganho de causa para aquele que melhor suportasse a prova? Diriam tratar-se de costumes insensatos. Pois o duelo é ainda pior que tudo isso. O duelista habilidoso comete um assassinato a sangue-frio, pois, com toda ação planejada antecipadamente, está seguro do golpe que desferirá. Para o adversário, quase certo de que vai morrer na luta, em razão de sua fraqueza e inabilidade, é um suicídio cometido com a mais fria reflexão. Muitas vezes, procuramos evitar o duelo usando a alternativa, igualmente criminosa, que elege o acaso como juiz. Mas isso é o mesmo que voltar ao que chamávamos de julgamento de Deus, na Idade Média. Porém, naquela época, éramos infinitamente menos culpados, pois até mesmo a denominação julgamento de Deus indicava uma fé ingênua na justiça divina, que não deixaria morrer um inocente. No duelo, tudo é resolvido pela força bruta, onde o ofendido é quem geralmente morre.

Estúpido amor-próprio, tola vaidade e louco orgulho! Quando iremos trocar tudo isso pela caridade cristã, pelo amor ao próximo e pela humildade que Cristo tanto ensinou e deu o exemplo? Somente quando isso acontecer é que irão desaparecer da Terra esses costumes monstruosos que ainda governam os homens e que as Leis são impotentes para reprimir. Não basta impedir o mal e querer o bem. É preciso que o sentimento do bem e do horror ao mal estejam gravados no coração do homem.

O Evangelho Segundo o Espiritismo | Allan Kardec | Por Claudio Damasceno Ferreira Junior Capítulo 12 | Página 155 | Amem os seus Inimigos