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segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Não Se Pode Servir A Deus E A Mamon

CAPÍTULO XVI

Não Se Pode Servir 
A Deus E A Mamon

• Salvação dos Ricos
•  Resguardar-se Da Avareza • Jesus Na Casa de Zaqueu
• Parábola do Mau Rico • Parábola dos Talentos
• Utilidade Providencial da Riqueza - Provas da Riqueza e da Miséria
• Desigualdade das Riquezas



Instruções Dos Espíritos:

• A Verdadeira Propriedade
• Emprego da Riqueza
• Desprendimento dos Bens Terrenos
• Transmissão da Riqueza


Salvação dos Ricos

1. Ninguém pode servir a dois senhores porque, ou ele vai odiar a um e amar o outro, ou vai se afeiçoar a um e desprezar o outro. Não se pode servir ao mesmo tempo a Deus e a Mamon (Lucas, 16:13).

2. Um jovem aproximou-se de Jesus e perguntou: "Bom Mestre, o que devo fazer para alcançar a vida eterna?". E Jesus lhe respondeu: "Por que você Me chama de bom? Só Deus é bom. Se você quer alcançar a vida eterna, siga os mandamentos." "Que mandamentos?", perguntou o jovem. E Jesus respondeu: "Não matar, não cometer adultério, não roubar, não prestar falso testemunho, honrar o pai e a mãe, e amar o próximo como a si mesmo." O jovem, então, replicou: "Sigo todos esses mandamentos desde que cheguei à mocidade, o que ainda me falta?". E Jesus respondeu: "Se você quer alcançar a vida eterna, venda tudo o que tem e dê aos pobres, e então receberá um tesouro no Céu, depois venha e Me siga." Porém, o jovem, ouvindo essas palavras, retirou-se, muito triste, porque possuía muitos bens. Então, Jesus disse a Seus discípulos: "Em verdade, Eu digo a vocês que é bem difícil um rico entrar no Reino dos Céus." E acrescentou: "É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha, do que que um rico entrar no Reino dos Céus." (Mateus, 16:19 a 24; Lucas, 18:18 a 25; Marcos, 10:17 a 25).


Resguardar a Avareza

3. No meio da multidão, um homem disse a Jesus: "Mestre, ordena a meu irmão que divida comigo a herança que recebemos." E Jesus lhe perguntou: "Homem, que lhe disse que Eu sou juiz para fazer partilhas?". Depois acrescentou: "Tenha cuidado para não ser avarento, porque a nossa vida não dependerá da abundância dos bens que possuímos."

Jesus depois lhe contou essa parábola: "Existia um homem rico, cujas terras haviam produzido muito, e esse homem pensava consigo mesmo: O que farei? Não tenho lugar para guardar tudo o que vou colher. Já sei, pensou ele: derrubarei os meus celeiros e construirei outros maiores ainda, onde colocarei toda minha colheita e todos os meus bens, e então direi a minha alma: você tem agora muitos bens de reserva que irão durar anos. Descanse, coma, beba, divirta-se." Porém, Deus, nesse mesmo instante, disse a esse homem: "Como você é insensato! Sua alma será arrebatada ainda esta noite, e para quem ficará tudo o que acumulou?".

"O mesmo acontece com aquele que guarda tesouros para si mesmo, mas não é rico perante Deus." (Lucas, 12:13 a 21)


Jesus Na Casa De Zaqueu

4. Jesus entrou em Jericó e atravessou a cidade. Lá existia um homem muito rico chamado Zaqueu, que era chefe dos publicanos. Zaqueu queria encontrar Jesus para conhecê-Lo, mas não conseguia devido à multidão e à sua baixa estatura. Assim, correu na frente e subiu em uma grande árvore para vê-Lo, pois Ele deveria passar por ali. Quando Jesus chegou, levantou os olhos e, vendo Zaqueu desceu, rápido, e O recebeu com alegria. Vendo isso, todos murmuraram, dizendo: "Ele vai se hospedar na casa de um homem de má conduta?" (ver, ma Introdução desta obra: Publicanos).

Entretanto, Zaqueu apresentou-se diante de Jesus e Lhe disse: "Senhor, dou a metade dos meus bens ao pobres, e, se fiz o mal a quem quer que seja, pago-lhe quatro vezes mais." E Jesus lhe respondeu: "Esta casa recebeu hoje a salvação, pois você também é filho de Abraão. Porque Eu vim para procurar e salvar o que estava perdido." (Lucas, 19:1 a 10).


Parábola do Mau Rico

5. Havia um homem muito rico que se vestia de púrpura e linho, e que se banqueteava todos os dias. Havia, também, um mendigo chamado Lázaro, deitado à sua porta, todo coberto de chagas e que desejava saciar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico. Mas não lhe sobrava quase nada, e os cães ainda vinham lamber suas feridas. O mendigo morreu e foi levado pelos anjos ao encontro de Abraão. O rico também morreu e foi para o inferno. Quando o rico estava no auge do seu sofrimento, elevou os olhos ao alto e viu de longe Abraão com Lázaro ao seu lado, e, aos gritos, disse: "Meu pai Abraão, tenha piedade de mim e mande Lázaro aqui, para que ele molhe a ponta do seu dedo na água e refresque minha sede, pois sofro muito nesse lugar."

Porém, Abraão lhe respondeu: "Meu filho, você deve lembrar que recebeu seus bens em vida, enquanto Lázaro apenas recebeu migalhas. Por isso, ele está agora na consolação e você nos tormentos. Além disso, nesse momento, existe um grande abismo entre nós, pois aqueles que estão aqui não conseguem chegar até aí, e os que estão aí também não conseguem passar para o lado de cá."

Então, o rico disse: "Eu lhe suplico, pai Abraão, para que envie Lázaro à casa de meu pai, onde tenho cinco irmãos, a fim de contar-lhes o quanto estou sofrendo, para que eles também não venham parar nesse lugar horrível." E Abraão lhe respondeu: "Eles já têm os ensinamentos de Moisés e dos Profetas, que eles sigam esses ensinamentos." "Meu pai Abraão", disse o rico, "se algum dos mortos for encontrá-los, eles se submeterão a sacrifícios a fim de resgatar os pecados que cometeram." Abraão lhe respondeu: "Se eles não ouvem nem a Moisés e nem aos Profetas, não acreditarão em mais nada, ainda que algum dos mortos ressuscite." (Lucas, 16:19 a 31)


Parábola dos Talentos

6. O Senhor age como um homem que, tendo que fazer uma longa viagem para fora de seu país, chamou seus servidores e lhes entregou seus bens. Distribuiu seus talentos segundo a capacidade de cada um. Ao primeiro, deu cinco, ao segundo, dois e ao terceiro, somente um, e depois partiu. Aquele que havia recebido cinco talentos negociou com o dinheiro e ganhou outros cinco. Aquele que havia recebido dois, também negociou e ganhou mais dois talentos. Porém, o servidor que recebeu apenas um talento, cavou um buraco na Terra e lá guardou o dinheiro de seu amo. Depois de muito tempo, o Senhor retornou da viagem e chamou seus servidores para que lhe prestassem contas. Aquele que recebeu cinco talentos, apresentou-se e disse: "Senhor, recebi cinco talentos e trago, além desses, outros cinco que ganhei." E o amo lhe disse: "Bom e fiel servidor, porque você foi fiel com pouca coisa, vou dar-lhe muito mais, venha e compartilhe da minha alegria." Aquele que recebeu dois talentos também se apresentou e disse: "Senhor, recebi dois talentos e trago, além desses, outros dois que ganhei." E o amo lhe disse: "Bom e fiel servidor, porque você foi fiel com pouca coisa, vou dar-lhe muito mais, venha e compartilhe, também, da minha alegria." Aquele que tinha recebido apenas um talento apresentou-se em seguida e disse: "Senhor, sei o quanto é exigente e que colhe onde não semeou, por isso, com medo, escondi o talento na Terra, devolvo agora o que lhe pertence." Porém, o amo lhe disse: "Servidor mau e preguiçoso, se você sabia que eu era exigente, deveria ter colocado meu dinheiro no banco para que, após o meu retorno, eu pudesse retirar com juros o que me pertencia. Tirem dele o talento e deem ao servidor que possui dez talentos. Porque é preciso dar a todos os que têm e eles ficarão na abundância, mas daquele que nada tem, deve-se tirar até mesmo o que ele parece ter. Joguem, portanto, esse servidor inútil nas trevas, onde haverá prantos e ranger de dentes." (Mateus, 25:14 a 30)


Utilidade Providencial da Riqueza - Provas
da Riqueza e da Miséria

terça-feira, 5 de outubro de 2021

Bem-Aventurados os Que São Misericordiosos




CAPÍTULO X

Bem-Aventurados Os Que São Misericordiosos

• Perdoem Para Que Deus Possa Lhes Perdoar 
•  Reconciliem-se Com Seus Adversários
• O Sacrifício Mais Agradável A Deus
• O Cisco E A Trave No Olho • Não Julguem Para Não Serem Julgados - Aquele Que Estiver Sem Pecado, Atire A Primeira Pedra


Instruções Dos Espíritos:
• O Perdão Das Ofensas • A Indulgência
• É Permitido Repreender Os Outros? • É Permitido Observar As Imperfeições Alheias? • É Permitido Divulgar O Mal Alheio?

Perdoem Para Que Deus Possa Lhes Perdoar

1. "Bem-aventurados os que são misericordiosos, porque eles próprios alcançarão a misericórdia" (Mateus, 5:7).

2.  "Se perdoarem as faltas que os homens cometem contra vocês, também receberão o perdão de Meu Pai Celestial. Mas, se não perdoarem os homens quando forem ofendidos, Meu Pai Celestial também não os perdoará" (Mateus, 6:14 e 15).

3. "Se um irmão pecou contra vocês, vão e acertem a falta em particular com ele, e, se ele ouvir, terão ganho um irmão". Pedro, aproximando-se de Jesus, perguntou: "Senhor, quantas vezes terei que perdoar meu irmão, quando ele pecar contra mim? Será até sete vezes?". E Jesus lhe respondeu: "Você deve perdoá-lo não apenas sete vezes, mas sim, setenta vezes sete vezes" (Mateus, 18:15, 21 e 22).

4. A misericórdia é o complemento da doçura, pois aquele que não for misericordioso também não será manso nem pacífico. A misericórdia consiste no esquecimento e no perdão das ofensas. O ódio e o rancor são próprio de uma alma sem elevação e sem grandeza. O esquecimento das ofensas é próprio de uma alma elevada que está acima do mal que lhe queiram fazer. A alma que odeia é sempre ansiosa, sua sensibilidade é sombria, desconfiada e cheia de amargura. A alma elevada é calma, cheia de mansidão e caridade. 

Infeliz daquele que diz: "Nunca perdoarei!". Se não for condenado pelos homens, certamente, o será por Deus. Com que direito pedirá o perdão para suas próprias faltas, se ele mesmo não consegue perdoar as que os outros cometem? Jesus nos ensina que a misericórdia não deve ter limites, quando diz que "devemos perdoar nosso irmão, não sete, mas setenta vezes sete vezes".

Existem duas maneiras bem diferentes de perdoar: A primeira  é grande, nobre e verdadeiramente generosa, pois esquece o que passou e, evita com delicadeza, ferir o amor-próprio e a suscetibilidade do agressor, mesmo que ele seja culpado. A segunda é quando aquele que se julga ofendido impõe condições humilhantes ao seu ofensor, fazendo com que ele sinta todo o peso de um perdão que irrita em vez de acalmar. Se estende a mão, não o faz com bondade, e sim com ostentação, para que possa dizer a todos: "Vejam como sou generoso!". Em tais condições, é impossível que a reconciliação seja sincera de ambas as parte. Isto não é generosidade, é, antes, uma maneira de satisfazer o orgulho. Portanto, aquele que possui uma alma verdadeiramente grande, em todas as disputas, se mostrará mais pacificador, mais tolerante e mais caridoso. Agindo assim, conquistará sempre a simpatia das pessoas imparciais.

Reconciliem-se com Seus Adversários

5. "Reconciliem-se o mais rápido possível com seus adversários, enquanto estiverem com eles a caminho, para que não ocorra que seus adversários os entreguem ao juiz, e o juiz os entregue ao ministro da justiça, e que sejam enviados à prisão. Em verdade, Eu digo a vocês que não sairão de lá enquanto não pagarem até o último centavo" (Mateus, 5:25 e 26).

6. Na prática do perdão, assim como na prática do bem, além do efeito moral, existe, também o efeito material. Sabemos que a morte não nos livra dos nossos inimigos. Os Espíritos desencarnados que desejam vingança perseguem, frequentemente, com seu ódio, aqueles contra os quais ainda guardam rancor. Por isso, o provérbio que diz "morta a cobra, morto o veneno" torna-se falso, quando aplicado ao homem. O Espírito mau, por estar desligado do corpo físico, possui mais liberdade. Ele se aproveita dessa condição para atormentar sua vítima, que está presa ao corpo, prejudicando seus interesses ou suas afeição mais caras. O Espírito que já desencarnou continua sentido ódio e rancor e não consegue perdoar aquele que lhe fez mal. Aí reside a causa da maior parte dos casos de obsessão, principalmente, aqueles que apresentam maior gravidade, como a subjugação e a possessão.

O obsediado e o possesso são quase sempre vítimas de uma vingança, cuja causa se encontra em uma existência anterior, onde os dois foram responsáveis por condutas erradas. Deus permite que a obsessão aconteça como uma espécie de punição para aqueles que não foram caridosos nem misericordiosos ao não perdoarem os que lhe fizeram mal. É importante, para tranquilidade futura, corrigir, o mais rápido possível, os erros que cada um de nós comete contra nosso próximo. Devemos perdoar os inimigos a fim de eliminar, antes de desencarnar, qualquer motivo de desavença, ódio ou rancor. Desse modo, pode-se fazer de um inimigo neste mundo um amigo no Mundo Espiritual, ou, pelo menos, ficar do lado do bem. Deus sempre ampara aqueles que perdoam.

Quando Jesus recomenda que nos reconciliemos, o mais rápido possível, com nossos adversários, não quer somente evitar as discórdias na vida presente, mas, principalmente, evitar que elas continuem nas existências futuras. Jesus disse: "Não sairão de lá enquanto não pagarem até o último centavo". Isso quer dizer: "Enquanto não perdoarmos uns aos outros, estaremos sempre presos em cadeias de ódio e rancor, das quais só nos libertaremos quando a Justiça de Deus for integralmente cumprida. É preciso, também, que tenhamos a consciência de essa Justiça age sobre nós de forma isenta e correta".

O Sacrifício Mais Agradável A Deus

7. "Quando estiverem fazendo a oferenda diante do altar e lembrarem-se de que seu irmão tem alguma coisa contra vocês, deixem a oferenda ao pé do altar e vão primeiro se reconciliar com seu irmão, e só depois voltem para fazer a oferenda" (Mateus, 5:23 e 24).

8. Quando Jesus disse: "Reconciliem-se primeiro com seu irmão, antes de apresentarem a oferenda ao altar", ensinou que o sacrifício mais agradável ao Senhor é o sacrifício do próprio ressentimento, pois, antes de solicitar o perdão de Deus, é preciso já ter perdoado. Se cometemos alguma injustiça contra um de nossos irmãos, é preciso que essa injustiça já tenha sido reparada. Somente assim a oferenda será agradável a Deus, pois virá de um coração puro e livre de qualquer mau pensamento. Naquela época, era costume, entre os judeus, oferecer bens materiais a Deus. Eles faziam isso como forma de demonstrar seu amor e respeito. Pelo ensinamento de que primeiro era preciso se reconciliar com o irmão, antes de apresentar a oferenda, Jesus estava adequando Suas palavras aos costumes que vigoravam na época. O verdadeiro cristão não precisa fazer doações materiais a Deus, pois ele espiritualizou o sacrifício e sabe que o ensinamento do perdão é muito mais importante que a oferenda. Ele oferece sua alma e essa deve estar purificada. Ao entrarem no Templo do Senhor, devem deixar do lado de fora todo mau pensamento contra seu irmão e todo sentimento de ódio e animosidade. Só então os Espíritos Superiores levarão suas preces ao Altíssimo. Eis o que Jesus ensina com estas palavras: "Deixem sua oferenda ao pé do altar e vão primeiro se reconciliar com seus irmãos, se quiserem ser agradáveis ao Senhor".

O Cisco E A Trave No Olho

9. Como vocês conseguem ver um cisco que está no olho de seu irmão e não conseguem ver a trave que está em seu próprio olho? Como podem dizer a seu irmão: Deixe-me tirar o cisco que está em seu olho, se no de vocês possui uma trave? Hipócritas, retirem primeiro a trave que está em seu olho, para depois retirarem o cisco que está no olho de seu irmão (Mateus, 7:3 a 5).

10. Um dos defeitos da Humanidade é ver primeiro o mal alheio, para depois ver o seu próprio. Para fazer um julgamento correto, seria preciso que o homem olhasse seu interior num espelho, se transportasse de alguma forma para fora de si mesmo e, considerando-se como outra pessoa, perguntasse: O que eu iria pensar se visse alguém fazendo o que eu faço? Indiscutivelmente, é o orgulho que faz com que o homem disfarce seus próprios defeitos, tanto morais quanto físicos. Esse comportamento é totalmente contrário à caridade, pois a verdadeira caridade é modesta, simples e tolerante. Não faz sentido praticar a caridade de maneira orgulhosa, pois a caridade e o orgulho são sentimentos que se neutralizam um ao outro. Aquele que é orgulhoso não consegue praticar a caridade. Um homem bastante vaidoso, que acredita possuir qualidades superiores, não consegue ressaltar o bem em outras pessoas, pois isso poderia ofuscá-lo. Assim, prefere ressaltar o mal que poderia promovê-lo. O orgulho, além de ser o pai de muitos vícios, ainda impede a manifestação de muitas virtudes. Ele é a razão de quase todas as más ações do homem, e foi por isso que Jesus se dedicou tanto em combatê-lo. O orgulho é, sem dúvida, o principal obstáculo ao progresso da Humanidade.

Não Julguem Para Não Serem Julgados - Aquele Que Estiver Sem Pecado, Atire a Primeira Pedra

11. Não julguem para não serem julgados, pois serão julgados conforme julgarem os outros. E será aplicada a vocês a mesma medida que usaram para medir os outros (Mateus, 7:1 e 2).

12. Então, escribas e fariseus levaram até Jesus uma mulher que havia sido surpreendida em adultério e, fazendo com que ela ficasse em pé, no meio do povo, disseram: "Mestre, essa mulher acaba de ser surpreendida em adultério. Moisés nos ordena, na Lei, apedrejar as adúlteras. Qual é a Sua opinião a respeito desse assunto?". Eles diziam isso querendo tentar Jesus, a fim de terem do que acusá-lo. Porém, Jesus, abaixando-se, começou a escrever com Seu dedo na areia. Como continuassem a interrogá-lo. Ele levantou e disse: "Aquele dentre vocês que estiver sem pecado atire a primeira pedra". Após isso, abaixou-se novamente e continuou a escrever na areia. Mas eles, tendo ouvido Jesus falar assim, retiraram-se um após o outro, saindo em primeiro lugar os mais velhos, porque possuíam mais pecados. Após todos se retirarem, Jesus ficou sozinho com a mulher no meio da praça.

Então, Ele levantou-se de novo e disse: "Mulher, onde estão os que lhe acusavam? Ninguém condenou você?". E ela respondeu: "Ninguém, Senhor". Então, Jesus lhe disse: "Eu também não vou lhe condenar. Vá e não volte a pecar" (João, 8:3 a 11).

13. Com esse ensinamento: "Aquele que estiver sem pecado, atire a primeira pedra", Jesus faz do perdão um dever, pois não existe ninguém que não precise dele para si mesmo. Ele nos ensina que não devemos julgar os outros mais severamente do que julgaríamos a nós mesmos, e nem condenar no próximo o que perdoaríamos em nós. Antes de condenar alguém por uma falta, vejamos se a mesma reprovação não nos pode ser aplicada.

A censura da conduta alheia pode ter dois motivos: o primeiro é reprimir o mal, e o segundo é desacreditar a pessoa cujos atos estamos criticando. No segundo caso, nunca encontraremos desculpa, pois a crítica tem origem na maledicência e na maldade. Reprimir o mal é louvável e constitui, em alguns casos, até mesmo um dever, principalmente, se dessa repressão resultar um bem. Sem esse procedimento, o mal nunca seria combatido na sociedade, e o homem deve ajudar sempre no progresso de seus semelhantes. Este princípio: "Não julguem para não serem julgados", não deve ser aplicado em sentido absoluto, porque a letra mata e o Espírito vivifica, ou seja, o que estiver escrito não terá valor nenhum se o ensinamento não for seguido.

Não é possível que Jesus tenha proibido a censura do mal, pois em todas as oportunidades Ele o combateu de maneira enérgica. Ensinou que a autoridade para censurar está na razão direta da autoridade moral daquele que censura. Se nos sentimos culpados por aquilo que condenamos nos outros, não temos o direito de ter autoridade para censurar e, ainda mais, estaríamos condenando alguém de forma injusta. Em nosso íntimo, não conseguimos obedecer a alguém que, mesmo tendo poder, não respeita as Leis e os princípios da autoridade que está querendo aplicar. Não existe autoridade mais legítima aos olhos de Deus do que aquela que se apoia no exemplo dado pelo homem de bem. Isso é o que fica ressaltado, de forma bem clara, nos ensinamentos de Jesus. 

Instruções dos Espíritos

O Perdão Das Ofensas
Simeão - Bordeaux, 1862

14. "Quantas vezes perdoarei ao meu irmão?", perguntou Pedro a Jesus. "Você deve perdoá-lo não sete vezes, mas sim, setenta vezes sete vezes." Esse é um dos ensinamentos de Jesus que mais deve marcar a inteligência de vocês e falar bem alto a seus corações. Comparem essas palavras de misericórdia com a prece tão simples, tão resumida e tão grande em suas aspirações, a oração do Pai Nosso que Jesus ensinou a Seus discípulos, e encontrarão sempre o mesmo pensamento. Jesus, o justo por excelência, responde a Pedro: "Você perdoará, mas sem limites; perdoará ainda que a ofensa lhe seja feita muitas vezes; ensinará a seus irmãos o esquecimento de si mesmo, que os torna invulneráveis às agressões, aos maus tratos e às injúrias. Será doce e humilde de coração, nunca medindo sua mansidão e brandura. Fará aos outros o que deseja que o Pai Celestial faça por você. Não tem, Ele, o perdoado sempre? Por acaso, conta as inúmeras vezes que o Seu perdão vem apagar as suas faltas?". Prestem atenção na resposta de Jesus e, como Pedro, procurem aplicá-la a vocês mesmos. Deem, e o Senhor lhes restituirá. Perdoem, e o Senhor vai perdoá-los. Abaixem-se, e o Senhor os reerguerá. Humilhem-se, e o Senhor fará com que sentem à Sua direita.

Vão, meus bem-amados, estudem e comentem essas palavras que eu dirijo a todos, da parte Daquele que, do alto dos esplendores Celestes, sempre cuida de vocês e continua, com amor, a tarefa ingrata que começou há dezoito séculos.

Perdoem o próximo, pois também precisam do seu perdão. Se vocês são prejudicados pelos atos dos seus irmãos, é mais um motivo para serem tolerantes, porque o mérito de perdoar é proporcional à gravidade do mal cometido. Além disso, nenhum merecimento terão, se não perdoarem, sinceramente, seus irmãos pelas pequenas ofensas que eles fazem.

Espíritas, nunca esqueçam que, tanto nas palavras como nas ações, o perdão dos insultos nunca deve ser uma palavra vazia. Se vocês se dizem Espíritas, então o sejam de fato. Esqueçam o mal que lhes foi feito e pensem apenas em uma coisa: No bem que podem fazer. Aquele que entrou nesse caminho não deve se afastar dele, nem mesmo em pensamento, porque todos são responsáveis por aquilo que pensam e Deus conhece bem o que andam pensam. Cuidem para que todos pensamento seja desprovido de qualquer sentimento de rancor. Deus sabe o que se passa no coração de cada um de Seus filhos. Feliz daquele que, a cada noite, pode deitar-se e dizer: "Nada tenho contra meu próximo".

Paulo, apóstolo - Lyon, 1861

15. Perdoar os inimigos é pedir perdão para si mesmo. Perdoar os amigos é dar a eles uma prova de amizade. Perdoar as ofensas é demonstrar que se está melhorando. Perdoem, meus amigos, para que Deus também possa perdoá-los. Se forem duros, exigentes e rigorosos, mesmo por uma pequena ofensa, como vão querer que Deus esqueça que, a cada dia, vocês também têm necessidade de perdão.

Infeliz daquele que diz: "Nunca perdoarei", pois está pronunciando a sua própria condenação. Será que fazendo uma autoanálise não irão encontrar, em vocês mesmos, o agressor? Quem sabe se, nessa luta que começa por um simples desentendimento e termina numa ruptura, o primeiro golpe não partiu de vocês? Será que não deixaram escapar uma palavra ofensiva? Será que usaram a moderação necessária? Sem dúvida, o adversário errou em se mostrar tão melindroso. mas isso deve ser mais uma razão para serem indulgentes e não o censurarem. Vamos admitir que foram, realmente, os ofendidos em uma determinada circunstância; quem garante que não envenenaram a situação por vingança, transformando em disputa séria o que poderia ter caído facilmente no esquecimento? Se dependeu de vocês impedir as consequências e não o fizeram, então são realmente culpados. Vamos imaginar também que não tenham absolutamente nada a reprovar em suas condutas; nesse caso, quanto maior tiver sido a capacidade de perdoar, maior será o mérito de vocês.

Existem duas maneiras diferentes de perdoar: o perdão dos lábios e o perdão do coração. Muitas pessoas dizem a respeito do seu adversário: "Eu o perdoo", enquanto, interiormente, alegram-se com o mal que lhe acontece, dizendo a si mesmos que ele bem o mereceu. Quantos dizem: "Eu perdoo" e acrescentam: "Mas nunca me reconciliarei, não quero vê-lo pelo resto de minha vida"; será esse o perdão ensinado pelo Evangelho? Não! O verdadeiro perdão ensinado pelo Cristo é aquele que lança um véu sobre o passado. É o único que será levado em consideração, pois Deus não se contenta com aparências. Ele examina o fundo dos corações e os mais secretos pensamentos, não aceitando apenas palavras e simples fingimentos. O esquecimento completo e absoluto das ofensas é próprio das grandes almas. O rancor é sempre um sinal de inferioridade. O verdadeiro perdão se reconhece mais pelos atos do que pelas palavras.

A Indulgência
Joseph, Espírito Protetor - Bordeaux, 1863

16. Espíritas, gostaríamos de falar hoje sobre a indulgência, ou, melhor, sobre o perdão, a misericórdia, a tolerância, sentimentos tão doces, tão fraternais que todo homem deveria ter para com seus irmãos, mas que poucos praticam.

A indulgência jamais vê os defeitos alheios, e, se os vê, evita falar deles e divulgá-los. Ao contrário, ela os esconde, a fim de que não sejam conhecidos. Se a maledicência os descobre, a indulgência sempre tem uma desculpa pronta para amenizá-los, mas sempre uma desculpa razoável, séria, e não daquelas que, em vez de atenuar a falta, ressaltam-na de um modo maldoso.

A indulgência jamais se ocupa com os erros alheios, a menos que eles possam ser usados para servir de exemplo à sociedade e, ainda assim, os utiliza tomando o cuidado para atenuá-los tanto quanto possível.

A indulgência não faz observações ofensivas, nem censuras verbais, mas apenas limita-se a dar conselhos, quase sempre de maneira despercebida. Quando criticam, que conclusão devem tirar de suas palavras? É a de que vocês criticam jamais irão fazer o que reprovam e, também, de que são melhores do que o culpado. Quando será que irão julgar seus próprios corações, seus próprios pensamentos, seus atos, sem se ocuparem com o que fazem seus irmãos? Quando irão olhar com severidade somente para vocês mesmos?

Sejam severos para consigo mesmos e indulgentes para com os outros. Lembrem-se Daquele que julga em última instância e que vê os pensamentos secretos de cada coração. Por isso, muitas vezes, Deus perdoa as faltas que vocês censuram em seus irmãos, e condena as que vocês desculpam, porque Ele conhece bem a causa de todos os atos. Muitas vezes, aqueles que pedem para que o próximo seja castigado, talvez, tenham cometido erros ainda mais graves.

Sejam indulgentes, meus amigos, pois a indulgência atrai, acalma e reergue, ao passo que o rigor demasiado desanima, afasta e irrita.

João, Bispo de Bordeaux, 1862

17. Sejam indulgentes para com as faltas alheias, quaisquer que sejam elas. Julguem com severidade apenas as próprias ações e o Senhor usará de indulgência para com vocês, da mesma maneira que usam para com os outros.

Apoiem os fortes, encorajando-os a prosseguir no bem. Fortifiquem os fracos, mostrando-lhes a bondade de Deus, que leva em consideração o menos arrependimento. Mostrem a todos o anjo do arrependimento estendendo suas asas brancas sobre as faltas humanas, ocultando-as dos olhos daqueles que não veem senão o que é impuro. Compreendam a misericórdia infinita do Pai e não esqueçam nunca de Lhe dizer pelo pensamento, mas, principalmente, pelos atos: "Perdoa as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aqueles que nos têm ofendido". Compreendam bem o valor dessas sublimes palavras, não só sua letra é admirável, mas também o ensinamento que elas contêm.

O que pedem ao Senhor quando solicitam o seu perdão? Somente o esquecimento das faltas que cometeram? Se Deus se contentasse em esquecer suas faltas, Ele não os puniria, mas também não os recompensaria. A recompensa não pode ser o prêmio pelo bem que não fizeram e menos ainda pelo mal que praticaram, mesmo que esse mal tenha sido esquecido. Ao pedirem a Deus para que perdoe seus desvios, peçam a Ele a graça para não mais cometê-los, e a força necessária para entrar em um novo caminho de obediência e amor, no qual, junto com o arrependimento, poderão acrescentar a reparação do erro.

Quando perdoarem seus irmãos, não se contentem em estender o véu do esquecimento sobre suas faltas. Esse véu é, na maioria das vezes, muito transparente aos olhos de vocês. Ao perdoarem, acrescentem, também, o amor, façam aos outros o que gostariam que o Pai Celestial fizesse por vocês. Troquem a cólera que desonra pelo amor que purifica. Preguem dando o exemplo dessa caridade incansável que Jesus ensinou. Preguem como Ele próprio fez, durante o tempo em que viveu na Terra, e como ainda prega, sem cessar, depois que retornou ao Plano Espiritual. Sigam o Divino Modelo, sigam Seus passos, pois eles os conduzirão a um lugar de refúgio, onde encontrarão o repouso após a luta. Como Jesus, carreguem sua cruz e subam, com coragem, o calvário, pois no seu cume está a glorificação.

Dufêtre, Bispo de Nevers - Bordeaux

18. Sejam severos para consigo mesmos e indulgentes para com as fraquezas alheias. Esta é uma prática caridosa que poucas pessoas observam. Todos têm tendências ruins a vencer, defeitos a corrigir, hábitos a modificar. Todos têm um fardo mais ou menos pesado e precisam se livrar dele para chegar ao cume da montanha do progresso. Por que são tão exigentes para com o próximo e tão cegos para consigo mesmos? Quando deixarão de perceber, no olho do irmão, o cisco que o fere, enquanto vocês possuem uma trave que os cega e faz com que caminhem de queda em queda? Creiam nos Espíritos, pois eles são irmãos. Todo homem orgulhoso que se achar superior, em virtude e mérito, a seus irmãos encarnados, é sempre um insensato, e Deus o julgará por isso no dia de Sua justiça. O verdadeiro sentido da caridade é a modéstia e a humildade. Ambas consistem em ver apenas superficialmente os defeitos alheios e ressaltar, no próximo, as virtudes e o que existe de bom. Ainda que o coração humano seja um abismo de corrupção, sempre existe, em alguma de suas regiões mais profundas, o gérmen dos bons sentimentos, como se fosse uma lembrança de sua realidade espiritual.

Espiritismo, Doutrina consoladora e bendita! Felizes são aqueles que a conhecem e tiram proveito dos salutares ensinamentos dos Espíritos do Senhor! Para ele, o caminho está iluminado e, ao longo da jornada terrena, podem ler essas palavras que lhes indicam o meio de chegar ao objetivo: caridade praticada com o coração, caridade para com o próximo e para consigo mesmo. Resumindo, caridade para com todos e o amor a Deus acima de todas as coisas. O amor a Deus resume todos os deveres e é impossível amar realmente a Deus sem praticar a caridade, da qual Ele fez uma Lei para todas as criaturas.

É Permitido Repreender Os Outros?
São Luís - Paris, 1860

19. Se ninguém é perfeito, significa que ninguém tem o direito de repreender o seu próximo?

Certamente que não é essa a conclusão a ser tirada, pois cada um deve trabalhar pelo progresso de todos e, principalmente, pelo progresso daqueles a quem Deus nos confiou a proteção. Por isso, essa repreensão deve ser feita com moderação, com um objetivo útil e não como se faz, na maioria das vezes, pelo prazer de denegrir. Nesse caso, a repreensão será sempre uma maldade. A censura feita com moderação é um dever que a caridade manda realizar com todos os cuidados possíveis. E, ainda mais, a repreensão que se faz aos outros deve, ao mesmo tempo, ser dirigida a nós, para vermos se também não a merecemos.

É Permitido Observar As Imperfeições Alheias?
São Luís - Paris, 1860

20. Seremos repreendidos em observar as imperfeições alheias, quando disso não resultar nenhum proveito para eles, mesmo que não as divulguemos?

Tudo vai depender da intenção com que se faz essa repreensão. Certamente, não é proibido ver o mal, quando o mal existe. Seria mesmo inconveniente ver, por parte, somente o bem. Essa ilusão prejudicaria o progresso. O erro está em fazer tal observação em prejuízo do próximo, rebaixando-o sem necessidade perante a opinião pública. Seria, ainda condenável observar as imperfeições alheias apenas para satisfazer nossos sentimentos de maldade e de alegria, ao verificar o defeito dos outros. Ocorre o contrário quando lançamos um véu sobre o mal, ocultando-o do público e nos limitando a observá-lo para proveito próprio, ou seja, para estudá-lo a fim de evitar fazer o que repreendemos nos outros. Esta observação é útil aos homens sérios que se dedicam ao estudo da moral, pois, como eles descreveriam os defeitos da Humanidade, se não estudassem seus exemplos?

É Permitido Divulgar O Mal Alheio?
São Luís - Paris, 1860

21. Haverá casos em que pode ser útil revelar o mal dos outros?

Esta questão é muito delicada e é nesse ponto que a caridade precisa ser bem compreendida. Se os defeitos de uma pessoa prejudicam apenas a ela mesma, não existe nenhuma utilidade em divulgá-los. Porém, se esses defeitos podem prejudicar outras pessoas, é preferível o interesse da maioria ao interesse de um só. Em alguns casos, desmascarar a hipocrisia e a mentira pode ser um dever, pois é preferível a queda de um homem do que vários serem vítimas de sua enganação. Neste caso, é preciso pesar a soma das vantagens e dos inconvenientes.

Comentários

5. "Enquanto estiverem com eles a caminho" - Essa expressão significa que devemos nos reconciliar com os nossos adversários enquanto estivermos vivendo com eles na Terra, nesta encarnação.

Prisão - A prisão referida por Jesus, no ensinamento do item 5 pode ser entendida como um lugar de sofrimento e aflição no Plano Espiritual, para onde vão aqueles que deixam a Terra sem terem perdoado ou se reconciliado com seus adversários. Ele adverte que o Espírito não sairá de lá até que se arrependa, do fundo do coração, dos erros que cometeu.

6. Obsessão - É a influência maléfica de um Espírito desencarnado sobre um Espírito encarnado. Essa influência maléfica também pode dar-se: de um Espírito encarnado sobre um Espírito desencarnado, entre Espíritos desencarnados e, finalmente, entre Espíritos encarnados.

Subjugação - É uma forma de obsessão em que a vítima perde a vontade própria e sofre uma dominação profunda do obsessor.

Possessão - É um estado bem mais avançado de obsessão, pois a vítima, além de perder o domínio total dos sentidos e das ações, passa a agir sob o comando do obsessor.

9. Trave - Na época de Jesus, era um tronco de árvore empregado em construção, uma madeira grossa.

16. Indulgência - É uma das virtudes que caracteriza o verdadeiro cristão e que se manifesta pela postura complacente, condescendente e compreensiva, perante as faltas e imperfeições alheias.

17. Calvário - Em aramaico, Gólgota. É o nome dado à colina que, na época de Cristo, ficava fora da cidade de Jerusalém, onde Jesus foi crucificado. O termo calvário também pode ser usado como sinônimo de martírio, longo sofrimento.







sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Bem-Aventurados Os Pobres de Espírito



CAPÍTULO VII 

Bem-Aventurados Os Pobres de Espírito

• O que É Preciso Entender Por Pobre de Espírito 
• Todo Aquele Que Se Eleva Será Rebaixado
• Mistérios Ocultos Aos Sábios E Aos Presunçosos

Instruções Dos Espíritos:
• O Orgulho E A Humildade
• Missão Do Homem Inteligente Na Terra


O que se deve entender por pobres de espírito

1. Bem-aventurados os pobres de espírito, pois que deles é o Reino dos Céus.  ( Mateus, 5:3.) 

2. A incredulidade zombou desta máxima: Bem-aventurados os pobres de espírito, como tem zombado de muitas outras coisas que não compreende. Por pobres de espírito Jesus não entende os baldos de inteligência, mas os humildes, tanto que diz ser para estes o Reino dos Céus, e não para os orgulhosos. Os homens de saber e de espírito, no entender do mundo, formam geralmente tão alto conceito de si próprios e da sua superioridade, que consideram as coisas divinas como indignas de lhes merecer a atenção. Concentrando sobre si mesmos os seus olhares, eles não os podem elevar até Deus. Essa tendência, de se acreditarem superiores a tudo, muito amiúde os leva a negar aquilo que, estando-lhes acima, os depreciaria, a negar até mesmo a Divindade. Ou, se condescendem em admiti-la, contestam-lhe um dos mais belos atributos: a ação providencial sobre as coisas deste mundo, persuadidos de que eles são suficientes para bem governá-lo. Tomando a inteligência que possuem para medida da inteligência universal, e julgando-se aptos a tudo compreender, não podem crer na possibilidade do que não compreendem. Consideram sem apelação as sentenças que proferem.

Se se recusam a admitir o mundo invisível e uma potência extra-humana, não é que isso lhes esteja fora do alcance; é que o orgulho se lhes revolta à ideia de uma coisa acima da qual não possam colocar-se e que os faria descer do pedestal onde se contemplam. Daí o só terem sorrisos de mofa para tudo o que não pertence ao mundo visível e tangível. Eles se atribuem espírito e saber em tão grande cópia, que não podem crer em coisas, segundo pensam, boas apenas para gente simples, tendo por pobres de espírito os que as tomam a sério. Entretanto, digam o que disserem, forçoso lhes será entrar, como os outros, nesse mundo invisível de que escarnecem. É lá que os olhos se lhes abrirão e eles reconhecerão o erro em que caíram. Deus, porém, que é justo, não pode receber da mesma forma aquele que lhe desconheceu a majestade e outro que humildemente se lhe submeteu às leis, nem os aquinhoar em partes iguais. Dizendo que o Reino dos Céus é dos simples, quis Jesus significar que a ninguém é concedida entrada nesse Reino, sem a simplicidade de coração e humildade de espírito; que o ignorante possuidor dessas qualidades será preferido ao sábio que mais crê em si do que em Deus. Em todas as circunstâncias, Jesus põe a humildade na categoria das virtudes que aproximam de Deus e o orgulho entre os vícios que dele afastam a criatura, e isso por uma razão muito natural: a de ser a humildade um ato de submissão a Deus, ao passo que o orgulho é a revolta contra Ele. Mais vale, pois, que o homem, para felicidade do seu futuro, seja pobre em espírito, conforme o entende o mundo, e rico em qualidades morais.


Aquele que se eleva será rebaixado

3. Por essa ocasião, os discípulos se aproximaram de Jesus e lhe perguntaram: “Quem é o maior no Reino dos Céus?” — Jesus, chamando a si um menino, o colocou no meio deles e respondeu: “Digo-vos, em verdade, que, se não vos

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Há Muitas Moradas Na Casa De Meu Pai



CAPÍTULO III
• Diferentes estados da alma na erraticidade • Diferentes categorias de mundos habitados • Destinação da Terra. Causas das misérias humanas • Instruções dos Espíritos: Mundos inferiores e mundos superiores – Mundos de expiações e de provas – Mundos regeneradores – Progressão dos mundos

1. Não se turbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim. Há muitas moradas na casa de meu Pai; se assim não fosse, já Eu vo-lo teria dito, pois me vou para vos preparar o lugar. Depois que me tenha ido e que vos houver preparado o lugar, voltarei e vos retirarei para mim, a fim de que onde Eu estiver, também vós aí estejais. (João, 14:1 a 3.)


Diferentes estados da alma na erraticidade 

2. A casa do Pai é o Universo. As diferentes moradas são os mundos que circulam no Espaço infinito e oferecem, aos Espíritos que neles encarnam, moradas correspondentes ao adiantamento dos mesmos Espíritos. 

Independente da diversidade dos mundos, essas palavras de Jesus também podem referir-se ao estado venturoso ou desgraçado do Espírito na erraticidade. Conforme se ache este mais ou menos depurado e desprendido dos laços materiais, variarão ao infinito o meio em que ele se encontre, o aspecto das coisas, as sensações que experimente, as percepções que tenha. Enquanto uns não se podem afastar da esfera onde viveram, outros se elevam e percorrem o Espaço e os mundos; enquanto alguns Espíritos culpados erram nas trevas, os bem-aventurados gozam de resplendente claridade e do espetáculo sublime do Infinito; finalmente, enquanto o mau, atormentado de remorsos e pesares, muitas vezes insulado, sem consolação, separado dos que constituíam objeto de suas afeições, pena sob o guante dos sofrimentos morais, o justo, em convívio com aqueles a quem ama, frui as delícias de uma felicidade indizível. Também nisso, portanto, há muitas moradas, embora não circunscritas, nem localizadas.

Diferentes categorias de mundos habitados 

3. Do ensino dado pelos Espíritos, resulta que muito diferentes umas das outras são as condições dos mundos, quanto ao grau de adiantamento ou de inferioridade dos seus habitantes. Entre eles há os em que estes últimos são ainda inferiores aos da Terra, física e moralmente; outros, da mesma categoria que o nosso; e outros que lhe são mais ou menos superiores a todos os respeitos. Nos mundos inferiores, a existência é toda material, reinam soberanas as paixões, sendo quase nula a vida moral. À medida que esta se desenvolve, diminui a influência da matéria, de tal maneira que, nos mundos mais adiantados, a vida é, por assim dizer, toda espiritual. 

terça-feira, 2 de maio de 2017

Não Vim Destruir a lei - Aliança da Ciência e da Religião



8. A Ciência e a Religião são as duas alavancas da inteligência humana: uma revela as leis do mundo material e a outra as do mundo moral. Tendo, no entanto, essas leis o mesmo princípio, que é Deus, não podem contradizer-se. Se fossem a negação uma da outra, uma necessariamente estaria em erro e a outra com a verdade, porquanto Deus não pode pretender a destruição de sua própria obra. A incompatibilidade que se julgou existir entre essas duas ordens de ideias provém apenas de uma observação defeituosa e de excesso de exclusivismo, de um lado e de outro. Daí um conflito que deu origem à incredulidade e à intolerância.

São chegados os tempos em que os ensinamentos do Cristo têm de ser completados; em que o véu intencionalmente lançado sobre algumas partes desse ensino tem de ser levantado; em que a Ciência, deixando de ser exclusivamente materialista, tem de levar em conta o elemento espiritual e em que a Religião, deixando de ignorar as leis orgânicas e imutáveis da matéria, como duas forças que são, apoiando-se uma na outra e marchando combinadas, se prestarão mútuo concurso. Então, não mais desmentida pela Ciência, a Religião adquirirá inabalável poder, porque estará de acordo com a razão, já se lhe não podendo mais opor a irresistível lógica dos fatos. 

A Ciência e a Religião não puderam, até hoje, entender-se, porque, encarando cada uma as coisas do seu ponto de vista exclusivo, reciprocamente se repeliam. Faltava com que encher o vazio que as separava, um traço de união que as aproximasse. Esse traço de união está no conhecimento das leis que regem o universo espiritual e suas relações com o mundo corpóreo, leis tão imutáveis quanto as que regem o movimento dos astros e a existência dos seres. Uma vez comprovadas pela experiência essas relações, nova luz se fez: a fé dirigiu-se à razão; esta nada encontrou de ilógico na fé: vencido foi o materialismo. Mas nisso, como em tudo, há pessoas que ficam atrás, até serem arrastadas pelo movimento geral, que as esmaga, se tentam resistir-lhe, em vez de o acompanharem. É toda uma revolução que neste momento se opera e trabalha os espíritos. Após uma elaboração que durou mais de dezoito séculos, chega ela à sua plena realização e vai marcar uma nova era na vida da Humanidade. Fáceis são de prever as consequências: acarretará para as relações sociais inevitáveis modificações, às quais ninguém terá força para se opor, porque elas estão nos desígnios de Deus e derivam da lei do progresso, que é Lei de Deus.


Instruções dos Espíritos

A nova era 

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Introdução (IV – Sócrates e Platão, precursores da ideia cristã e do Espiritismo)


Do fato de haver Jesus conhecido a seita dos essênios, fora errôneo concluir-se que a sua doutrina hauriu-a ele dessa seita e que, se houvera vivido noutro meio, teria professado outros princípios. As grandes ideias jamais irrompem de súbito. As que assentam sobre a verdade sempre têm precursores que lhes preparam parcialmente os caminhos. Depois, chegando o tempo, envia Deus um homem com a missão de resumir, coordenar e completar os elementos esparsos, de reuni-los em corpo de doutrina. Desse modo, não surgindo bruscamente, a ideia, ao aparecer, encontra espíritos dispostos a aceitá-la. Tal o que se deu com a ideia cristã, que foi pressentida muitos séculos antes de Jesus e dos essênios, tendo por principais precursores Sócrates e Platão. 

Sócrates, como o Cristo, nada escreveu, ou, pelo menos, nenhum escrito deixou. Como o Cristo, teve a morte dos criminosos, vítima do fanatismo, por haver atacado as crenças que encontrara e colocado a virtude real acima da hipocrisia e do simulacro das formas; por haver, numa palavra, combatido os preconceitos religiosos. Do mesmo modo que Jesus, a quem os fariseus acusavam de estar corrompendo o povo com os ensinamentos que lhe ministrava, também ele foi acusado, pelos fariseus do seu tempo, visto que sempre os houve em todas as épocas, por proclamar o dogma da unidade de Deus, da imortalidade da alma e da vida futura. Assim como a doutrina de Jesus só a conhecemos pelo que escreveram seus discípulos, da de Sócrates só temos conhecimento pelos escritos de seu discípulo Platão. Julgamos conveniente resumir aqui os pontos de maior relevo, para mostrar a concordância deles com os princípios do Cristianismo. 

Aos que considerarem esse paralelo uma profanação e pretendam que não pode haver paridade entre a doutrina de um pagão e a do Cristo, diremos que não era pagã a de Sócrates, pois que objetivava combater o paganismo; que a de Jesus, mais completa e mais depurada do que aquela, nada tem que perder com a comparação; que a grandeza da missão divina do Cristo não pode ser diminuída; que, ademais, trata-se de um fato da História, que a ninguém será possível apagar. O homem há chegado a um ponto em que a luz emerge por si mesma de sob o alqueire. Ele se acha maduro bastante para encará-la; tanto pior para os que não ousem abrir os olhos. Chegou o tempo de se considerarem as coisas de modo amplo e elevado, não mais do ponto de vista mesquinho e acanhado dos interesses de seitas e de castas. Além disso, estas citações provarão que, se Sócrates e Platão pressentiram a ideia cristã, em seus escritos também se nos deparam os princípios fundamentais do Espiritismo.

Resumo da doutrina de Sócrates e de Platão

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Provas Voluntárias - O Verdadeiro Sacrifício


Um Anjo Guardião - Paris, 1863

26 - Muitos perguntam se é permitido ao homem suavizar suas próprias provas. Essa questão equivale a uma outra: é permitido a alguém que está se afogando procurar se salvar? Alguém que tem um espinho cravado, retirá-lo? Alguém que está doente, chamar um médico? As provas têm por objetivo exercitar a inteligência, a paciência e a resignação. Um homem pode nascer numa posição humilde e difícil para se ver obrigado a procurar os meios de vencer as dificuldades. O mérito consiste em suportar, sem lamentações, as consequências dos males que não podemos evitar. Consiste, também, em continuar na luta, em não agir com desespero, se for malsucedido, e nem com displicência, porque isso seria mais preguiça do que virtude.

Uma vez que Jesus falou: "Bem-aventurados os aflitos", existirá méritos em procurar aflições para agravar por meio de sofrimentos voluntários? A isso, responderei muito claramente: Sim, existe um grande mérito quando os sofrimentos e as privações têm por objetivo o bem do próximo, porque isso é fazer a caridade através do sacrifício. Não, quando a finalidade é apenas favorecer a si mesmo. Neste caso, é egoísmo.

Aqui, existe uma grande distinção a ser feita: contentem-se com as provas que Deus lhes envia e não aumentem a carga por vezes já tão pesada. Aceitar as provas sem lamentações e com fé é tudo o que Ele quer. Não enfraqueçam o corpo com privações inúteis e torturas desnecessárias, pois precisam de todas as forças para realizar suas tarefas na Terra.

Torturar voluntariamente o corpo é transgredir a Lei de Deus, que dá, a cada um, os meios de sustentá-lo e fortificá-lo. Enfraquecer o corpo sem necessidade é um verdadeiro suicídio. Usem, mas não abusem! Esta é a Lei. O abuso das melhores coisas também traz sua punição e acarreta consequências inevitáveis.

Outra coisa é o sofrimento que alguém impõe a si próprio, para aliviar a dor do próximo. Se suportarem o frio e a fome para aquecer e alimentar aqueles que precisam, e se o corpo sofrer em consequência disso, eis o sacrifício que será abençoado por Deus.

Tem sua verdadeira recompensa aqueles que deixam suas casas para irem a uma habitação miserável levar consolação, que sujam suas mãos cuidando de chagas alheias, que se privam do sono para velar à cabeceira de um doente, que utilizam sua saúde praticando boas ações. As alegrias do mundo não ressecaram esses corações e não deixaram que eles adormecessem em meio aos prazeres ilusórios da riqueza. Esses são os verdadeiros anjos dos pobres abandonados.

Aqueles que se retiram do mundo para evitar suas seduções e vão viver no isolamento, que utilidade terão na Terra? Onde está a coragem para enfrentar as provas, uma vez que fogem da luta e abandonam o combate? Se quiserem um sacrifício, apliquem sobre sua alma e não sobre seu corpo. Castiguem seu Espírito e não sua carne, sacrifiquem seu orgulho, recebam as humilhações sem queixas, pisem em seu amor-próprio, aguentem a dor da ofensa e da calúnia que torturam mais que a dor física. Eis o verdadeiro sacrifício, cujas feridas serão contadas, pois atestarão a coragem de vocês e a submissão à votade de Deus.





O Evangelho Segundo o Espiritismo | Allan Kardec | Por Claudio Damasceno Ferreira Junior Capítulo 5 | Página 90 | Bem-Aventurados Os Aflitos



O Homem no Mundo


Um Espírito Protetor - Bordeaux 1863.

10 - Um sentimento de piedade deve sempre orientar o coração daqueles que se reúnem sob os olhos do Senhor e imploram a assistência dos bons Espíritos. Purifiquem seus corações, não se perturbem por pensamentos fúteis ou mundanos. Elevem seus pensamentos em direção aos Espíritos que evocam, para que eles possam encontrar em vocês as condições necessárias para poder ajudá-los, inspirando-lhes os sentimentos da caridade e da justiça.

Não acreditem que, ao incentivar a prece e a evocação dos bons Espíritos, desejamos que vocês vivam uma vida mística, que os coloque fora da Leis da Sociedade onde estão obrigados a viver. Não é assim! Procurem viver com os homens de sua época, vivam como eles vivem. Se sacrificarem as necessidades de pureza, para que essa renúncia possa ser santificada.

Se forem obrigados a conviver com Espíritos de natureza diferente, com características opostas às que possuem, não devem afrontar nem contrariar esses Espíritos. Sejam alegres e felizes, mas com uma alegria que venha de uma consciência tranquila. Vivam com a felicidade de um herdeiro do Céu, que conta os dias que faltam para o seu retorno.

A virtude não consiste em assumir um aspecto severo e sombrio, rejeitando os prazeres que a condição humana permite. Basta que todos os atos de vocês sejam regidos pela Lei do Criador, que deu a vida a todos. Ao começarem uma obra, elevem o pensamento a Deus e peçam a Ele proteção, para que essa obra tenha êxito. Ao terminarem, peçam a Deus para que abençoe essa obra. Ao realizarem qualquer atividade, elevem também o pensamento a Deus, e procurem não realizar nada sem que a lembrança do Criador venha purificar e santificar a execução dessas tarefas.

A perfeição está inteiramente, como disse Cristo, na prática da caridade sem limites. O dever da caridade sem limites. O dever da caridade se estende a todas as posições sociais, desde a maior até a menor. O homem, se vivesse sozinho, não teria como praticar a caridade. É no contato com seus semelhantes, na luta difícil do dia a dia, que ele encontra a ocasião para praticá-la. Aquele que se isola, priva-se, voluntariamente, do meio mais poderoso para aperfeiçoar. Ao pensar apenas em si, sua vida é a de um egoísta (veja, nesta obra cap. 5:26).

Não imaginem que para viver em comunicação conosco, para viver sob a observação do Senhor, seja preciso entregar-se ao *cilício e cobrir-se de cinzas. Não! Mais uma vez, não! Sejam felizes, de acordo com as necessidades humanas, mas que essa felicidade nunca tenha um pensamento ou um ato que possa ofender a Deus, ou entristecer o semblante daqueles que amam e dirigem vocês. Deus é amor e abençoa aqueles que sabem amar.



*Cilício era uma túnica, cinto ou cordão de crina, que se trazia sobre a pele para mortificação ou penitência. O pano de saco ou “cilício” era um tecido grosseiro e resistente feito de pelos de cabra ou de camelo, utilizado para conter cereais, objetos e alimentos em geral. Esse pano de saco era devidamente cortado e vestido como uma roupa por algumas pessoas em algumas ocasiões. A cinza era o conhecido pó resultante da queima de alguma coisa. 





O Evangelho Segundo o Espiritismo | Allan Kardec | Por Claudio Damasceno Ferreira Junior Capítulo 17 | Página 210 | Sejam Perfeitos

A Vida Futura


Instruções dos Espíritos
Uma Realeza Terrena

1 - Pilatos, entrando de novo no palácio, chamou Jesus e perguntou: "Você é o rei dos judeus?" E Jesus respondeu: "O Meu Reino não é deste mundo. Se o Meu Reino fosse deste mundo, certamente, Meus seguidores, teriam lutado para que Eu não caísse nas mãos dos judeus, mas, por enquanto, Meu Reino ainda não é daqui". E Pilatos lhe perguntou: "Então, Você é rei?". E Jesus lhe respondeu: "Você está dizendo que Eu sou rei. Eu nasci e vim a este mundo para dar testemunho da verdade, e todo aquele que segue a verdade, ouve a Minha voz" (João, 18:33, 36 e 37).

A Vida Futura

2 - Por estas palavras, Jesus diz, claramente, que a vida futura deve ser a principal preocupação dos homens que vivem na Terra. Em todas as oportunidades Ele se refere a esse grande princípio. Sem a vida futura, a maioria de Seus ensinamentos morais não teria nenhuma razão de ser. Muitos não entenderam o que Jesus falou e acharam que Ele só estava se referindo à vida presente. Por não acreditarem na continuação da vida após a morte, não conseguiam entender a vida futura, achando até mesmo ingênuas as Suas palavras.

A vida futura pode ser considerada como o principal ensinamento de Jesus, e por isso foi colocada no início desta obra. Ela deve ser a meta de todos os homens. Somente a continuação da vida pode explicar as grandes diferenças que existem entre os homens, aqui na Terra, e fazer com que a justiça de Deus se cumpra ao longo do tempo.

3 - Os judeus não compreendiam muito bem a vida futura e acreditavam que os Anjos eram seres privilegiados da criação. Não sabiam que os homens, pelo seu desenvolvimento Espiritual, também poderiam se tornar Anjos e compartilhar da mesma felicidade. Pensavam que os bens materiais, a supremacia de sua nação perante as outras e as vitórias que conseguiam sobre seus inimigos eram a recompensa por cumprirem as Leis de Deus. Acreditavam, também, que as calamidades coletivas e as derrotas eram o castigo pela desobediência a essas Leis. Moisés não poderia dizer mais a um povo pastor, sem cultura e interessado somente nas coisas desse mundo. Mais tarde, Jesus veio ensinar que existe um outro mundo, onde a justiça de Deus segue o seu curso e onde os bons, que procuram seguir Seus mandamentos, encontram sua recompensa. Esse outro mundo é o Mundo Espiritual, para onde Jesus retorna após deixar a Terra.

Jesus precisou ajustar Seu ensinamento ao estado evolutivo dos homens daquela época, pois, se falasse toda a verdade, o povo não entenderia e, em vez de esclarecê-los, causaria mais dúvidas. Limitou-se a colocar a vida futura como sendo uma Lei da Natureza à qual ninguém pode escapar. Todo cristão acredita, de algum modo, na vida futura, mas a ideia que faz dela é ainda muito vaga. Para a grande maioria, ela é apenas uma crença desprovida de certeza absoluta, donde resultam as dúvidas e a dificuldade que muitos têm em compreender a continuação da vida após a morte.

Hoje, os homens estão mais maduros para compreender as verdades, e o Espiritismo vem completar os ensinamentos do Cristo sobre a vida futura e sobre vários outros aspectos. Com os ensinamentos da Doutrina Espírita, a vida futura não é mais uma incerteza; é, antes, uma realidade demonstrada pelos fatos, pois são os próprios Espíritos que vêm descrevê-la em todos os seus detalhes, não deixando margem a nenhuma dúvida. Mesmo as inteligências mais simples conseguem compreender que a continuação da vida é uma realidade, do mesmo modo que conseguimos imaginar um país do qual lemos apenas uma descrição detalhada. O relato que os Espíritos fazem de uma vida feliz ou infeliz, na vida futura, é feito de uma maneira tão verdadeira, tão racional, que reconhecemos não poder ser de outra forma. Assim, a verdadeira justiça de Deus somente irá se cumprir na vida futura, onde, através das sucessivas reencarnações, será possível resgatar nossos erros.



O Evangelho Segundo o Espiritismo | Allan Kardec | Por Claudio Damasceno Ferreira Junior Capítulo 2 | Página 47 | Meu Reino Não é Deste Mundo