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segunda-feira, 31 de julho de 2017

Bem-Aventurados Os Aflitos




CAPÍTULO V 

Bem-aventurados os aflitos

• Justiça das aflições 
• Causas atuais das aflições 
• Causas anteriores das aflições 
• Esquecimento do passado 
• Motivos de resignação 
• O suicídio e a loucura 

Instruções dos Espíritos: 

Bem e mal sofrer – O mal e o remédio – A felicidade não é deste mundo – Perda de pessoas amadas. Mortes prematuras – Se fosse um homem de bem, teria morrido – Os tormentos voluntários – A desgraça real – A melancolia – Provas voluntárias. O verdadeiro cilício – Dever-se-á pôr termo às provas do próximo? – Será lícito abreviar a vida de um doente que sofra sem esperança de cura? – Sacrifício da própria vida – Proveito dos sofrimentos para outrem


1. Bem-aventurados os que choram, pois que serão consolados. Bem-aventurados os famintos e os sequiosos de justiça, pois que serão saciados. Bem-aventurados os que sofrem perseguição pela justiça, pois que é deles o Reino dos Céus.  (Mateus, 5:4, 6 e 10.)

2. Bem-aventurados vós, que sois pobres, porque vosso é o Reino dos Céus. Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis saciados. Ditosos sois, vós que agora chorais, porque rireis.  (Lucas, 6:20 e 21.)

Mas ai de vós, ricos! que tendes no mundo a vossa consolação. Ai de vós que estais saciados, porque tereis fome. Ai de vós que agora rides, porque sereis constrangidos a gemer e a chorar.  (Lucas, 6:24 e 25.)

Justiça das aflições 

3. Somente na vida futura podem efetivar-se as compensações que Jesus promete aos aflitos da Terra. Sem a certeza do futuro, estas máximas seriam um contrassenso; mais ainda: seriam um engodo. Mesmo com essa certeza, dificilmente se compreende a conveniência de sofrer para ser feliz. É, dizem, para se ter maior mérito. Mas, então, pergunta-se: por que sofrem uns mais do que outros? Por que nascem uns na miséria e outros na opulência, sem coisa alguma haverem feito que justifique essas posições? Por que uns nada conseguem, ao passo que a outros tudo parece sorrir? Todavia, o que ainda menos se compreende é que os bens e os males sejam tão desigualmente repartidos entre o vício e a virtude; e que os homens virtuosos sofram, ao lado dos maus que prosperam. A fé no futuro pode consolar e infundir paciência, mas não explica essas anomalias, que parecem desmentir a Justiça de Deus. Entretanto, desde que admita a existência de Deus, ninguém o pode conceber sem o infinito das perfeições. Ele necessariamente tem todo o poder, toda a justiça, toda a bondade, sem o que não seria Deus. Se é soberanamente bom e justo, não pode agir caprichosamente, nem com parcialidade. Logo, as vicissitudes da vida derivam de uma causa e, pois que Deus é justo, justa há de ser essa causa. Isso o de que cada um deve bem compenetrar-se. Por meio dos ensinos de Jesus, Deus pôs os homens na direção dessa causa, e hoje, julgando-os suficientemente maduros para compreendê-la, lhes revela completamente a aludida causa, por meio do Espiritismo, isto é, pela palavra dos Espíritos.

Causas atuais das aflições

4. De duas espécies são as vicissitudes da vida, ou, se o preferirem, promanam de duas fontes bem diferentes, que importa distinguir. Umas têm sua causa na vida presente; outras, fora desta vida. 

Remontando-se à origem dos males terrestres, reconhecer-se-á que muitos são consequência natural do caráter e do proceder dos que os suportam.

Quantos homens caem por sua própria culpa! Quantos são vítimas de sua imprevidência, de seu orgulho e de sua ambição!

Quantos se arruínam por falta de ordem, de perseverança, pelo mau proceder, ou por não terem sabido limitar seus desejos! 

Quantas uniões desgraçadas, porque resultaram de um cálculo de interesse ou de vaidade e nas quais o coração não tomou parte alguma! 

Quantas dissensões e funestas disputas se teriam evitado com um pouco de moderação e menos suscetibilidade!

Quantas doenças e enfermidades decorrem da intemperança e dos excessos de todo gênero! 

Quantos pais são infelizes com seus filhos, porque não lhes combateram desde o princípio as más tendências! Por fraqueza, ou indiferença, deixaram que neles se desenvolvessem os germens do orgulho, do egoísmo e da tola vaidade, que produzem a secura do coração; depois, mais tarde, quando colhem o que semearam, admiram-se e se afligem da falta de deferência com que são tratados e da ingratidão deles. 

segunda-feira, 17 de abril de 2017

A Vida Futura


Instruções dos Espíritos
Uma Realeza Terrena

1 - Pilatos, entrando de novo no palácio, chamou Jesus e perguntou: "Você é o rei dos judeus?" E Jesus respondeu: "O Meu Reino não é deste mundo. Se o Meu Reino fosse deste mundo, certamente, Meus seguidores, teriam lutado para que Eu não caísse nas mãos dos judeus, mas, por enquanto, Meu Reino ainda não é daqui". E Pilatos lhe perguntou: "Então, Você é rei?". E Jesus lhe respondeu: "Você está dizendo que Eu sou rei. Eu nasci e vim a este mundo para dar testemunho da verdade, e todo aquele que segue a verdade, ouve a Minha voz" (João, 18:33, 36 e 37).

A Vida Futura

2 - Por estas palavras, Jesus diz, claramente, que a vida futura deve ser a principal preocupação dos homens que vivem na Terra. Em todas as oportunidades Ele se refere a esse grande princípio. Sem a vida futura, a maioria de Seus ensinamentos morais não teria nenhuma razão de ser. Muitos não entenderam o que Jesus falou e acharam que Ele só estava se referindo à vida presente. Por não acreditarem na continuação da vida após a morte, não conseguiam entender a vida futura, achando até mesmo ingênuas as Suas palavras.

A vida futura pode ser considerada como o principal ensinamento de Jesus, e por isso foi colocada no início desta obra. Ela deve ser a meta de todos os homens. Somente a continuação da vida pode explicar as grandes diferenças que existem entre os homens, aqui na Terra, e fazer com que a justiça de Deus se cumpra ao longo do tempo.

3 - Os judeus não compreendiam muito bem a vida futura e acreditavam que os Anjos eram seres privilegiados da criação. Não sabiam que os homens, pelo seu desenvolvimento Espiritual, também poderiam se tornar Anjos e compartilhar da mesma felicidade. Pensavam que os bens materiais, a supremacia de sua nação perante as outras e as vitórias que conseguiam sobre seus inimigos eram a recompensa por cumprirem as Leis de Deus. Acreditavam, também, que as calamidades coletivas e as derrotas eram o castigo pela desobediência a essas Leis. Moisés não poderia dizer mais a um povo pastor, sem cultura e interessado somente nas coisas desse mundo. Mais tarde, Jesus veio ensinar que existe um outro mundo, onde a justiça de Deus segue o seu curso e onde os bons, que procuram seguir Seus mandamentos, encontram sua recompensa. Esse outro mundo é o Mundo Espiritual, para onde Jesus retorna após deixar a Terra.

Jesus precisou ajustar Seu ensinamento ao estado evolutivo dos homens daquela época, pois, se falasse toda a verdade, o povo não entenderia e, em vez de esclarecê-los, causaria mais dúvidas. Limitou-se a colocar a vida futura como sendo uma Lei da Natureza à qual ninguém pode escapar. Todo cristão acredita, de algum modo, na vida futura, mas a ideia que faz dela é ainda muito vaga. Para a grande maioria, ela é apenas uma crença desprovida de certeza absoluta, donde resultam as dúvidas e a dificuldade que muitos têm em compreender a continuação da vida após a morte.

Hoje, os homens estão mais maduros para compreender as verdades, e o Espiritismo vem completar os ensinamentos do Cristo sobre a vida futura e sobre vários outros aspectos. Com os ensinamentos da Doutrina Espírita, a vida futura não é mais uma incerteza; é, antes, uma realidade demonstrada pelos fatos, pois são os próprios Espíritos que vêm descrevê-la em todos os seus detalhes, não deixando margem a nenhuma dúvida. Mesmo as inteligências mais simples conseguem compreender que a continuação da vida é uma realidade, do mesmo modo que conseguimos imaginar um país do qual lemos apenas uma descrição detalhada. O relato que os Espíritos fazem de uma vida feliz ou infeliz, na vida futura, é feito de uma maneira tão verdadeira, tão racional, que reconhecemos não poder ser de outra forma. Assim, a verdadeira justiça de Deus somente irá se cumprir na vida futura, onde, através das sucessivas reencarnações, será possível resgatar nossos erros.



O Evangelho Segundo o Espiritismo | Allan Kardec | Por Claudio Damasceno Ferreira Junior Capítulo 2 | Página 47 | Meu Reino Não é Deste Mundo

terça-feira, 4 de abril de 2017

A Felicidade Que A Prece Proporciona



Santo Agostinho - Paris, 1861

23 - Venham, vocês que desejam crer. Os Espíritos Celestiais chegam para anunciar grandes coisas. Deus, meu filhos, abre Seus tesouros para dar a todos os Seus benefícios. Homens de pouca fé! Se soubessem o quanto a fé faz bem ao coração e leva a alma ao arrependimento e à prece! Ah! Como são comoventes as palavras que saem dos lábios na hora da prece! Ela é o orvalho Divino que acalma o calor excessivo das paixões. A prece, sendo filha primeira da fé, leva-nos ao caminho que conduz a Deus. No recolhimento e na solidão, estão sempre com Deus. Para vocês, não existem mais mistérios, pois Deus se revela através da prece. Apóstolos do pensamento, a prece os leva a conhecer a verdadeira vida. A alma se desprende da matéria e se eleva aos mundo infinitos e etéreos que a pobre Humanidade ainda desconhece.

Avancem pelos caminhos da prece e ouvirão as vozes dos anjos. Que harmonia! Não é mais o ruído confuso e os sons estridentes da Terra. São as liras dos arcanjos, as vozes doces e suaves dos serafins, mais delicadas que as brisas da manhã, quando brincam na folhagem dos nossos bosques. Com que alegrias irão caminhar! A linguagem da Terra é pobre para definir a felicidade que irão sentir, pois ela entrará por todos os poros, tão viva e refrescante é a fonte da vida quando se está em oração! Doces vozes, deliciosos perfumes que a alma ouve e sente ao se lançar, pela prece, nessas esferas desconhecidas e habitadas! Sem o peso dos desejos carnais, todas as aspirações são Divinas. Orem, também, como Cristo orou quando carregou Sua cruz até o Calvário.

Carreguem sua cruz e sentirão, em suas almas, as mesmas doces emoções que o Senhor sentiu, ainda que carregando a cruz infame. Ele ia morrer, mas para viver a Vida Celestial na morada do Pai.


O Evangelho Segundo o Espiritismo | Allan Kardec | Por Claudio Damasceno Ferreira Junior Capítulo 27 | Página 282 | Bem-Aventurados Os Aflitos