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segunda-feira, 29 de maio de 2017

Ninguém Poderá Ver O Reino De Deus Se Não Nascer De Novo



Capítulo IV


• Ressurreição e reencarnação 

• A reencarnação fortalece os laços de família, ao passo que a unicidade da existência os rompe 

• Instruções dos Espíritos: Limites da encarnação – Necessidade da encarnação



1. Jesus, tendo vindo às cercanias de Cesareia de Filipe, interrogou assim seus discípulos: “Que dizem os homens com relação ao Filho do Homem? Quem dizem que Eu sou?” — Eles lhe responderam: “Dizem uns que és João Batista; outros, que Elias; outros, que Jeremias, ou algum dos profetas.” — Perguntou-lhes Jesus: “E vós, quem dizeis que Eu sou?” — Simão Pedro, tomando a palavra, respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” — Replicou-lhe Jesus: “Bem-aventurado és, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne nem o sangue que isso te revelaram, mas meu Pai, que está nos céus.” (Mateus, 16:13 a 17; Marcos, 8:27 a 30.)

2. Nesse ínterim, Herodes, o Tetrarca, ouvira falar de tudo o que fazia Jesus e seu espírito se achava em suspenso, porque uns diziam que João Batista ressuscitara dentre os mortos; outros que aparecera Elias; e outros que um dos antigos profetas ressuscitara. Disse então Herodes: “Mandei cortar a cabeça a João Batista; quem é então esse de quem ouço dizer tão grandes coisas?” — E ardia por vê-lo.  (Marcos, 6:14 a 16; Lucas, 9:7 a 9.)

3. (Após a transfiguração.) Seus discípulos então o interrogaram desta forma: “Por que dizem os escribas ser preciso que antes volte Elias?” — Jesus lhes respondeu: “É verdade que Elias há de vir e restabelecer todas as coisas, mas Eu vos declaro que Elias já veio e eles não o conheceram e o trataram como lhes aprouve. É assim que farão sofrer o Filho do Homem.” — Então, seus discípulos compreenderam que fora de João Batista que Ele falara.  (Mateus, 17:10 a 13; Marcos, 9:11 a 13.)


Ressurreição e reencarnação 


4. A reencarnação fazia parte dos dogmas dos judeus, sob o nome de ressurreição. Só os saduceus, cuja crença era a de que tudo acaba com a morte, não acreditavam nisso. As ideias dos judeus sobre esse ponto, como sobre muitos outros, não eram claramente definidas, porque apenas tinham vagas e incompletas noções acerca da alma e da sua ligação com o corpo. Criam eles que um homem que vivera podia reviver, sem saberem precisamente de que maneira o fato poderia dar-se. Designavam pelo termo ressurreição o que o Espiritismo, mais judiciosamente, chama reencarnação. Com efeito, a ressurreição dá ideia de voltar à vida o corpo que já está morto, o que a Ciência demonstra ser materialmente impossível, sobretudo quando os elementos desse corpo já se acham desde muito tempo dispersos e absorvidos. A reencarnação é a volta da alma ou Espírito à vida corpórea, mas em outro corpo especialmente formado para ele e que nada tem de comum com o antigo. A palavra ressurreição podia assim aplicar-se a Lázaro, mas não a Elias, nem aos outros profetas. Se, portanto, segundo a crença deles, João Batista era Elias, o corpo de João não podia ser o de Elias, pois que João fora visto criança e seus pais eram conhecidos. João, pois, podia ser Elias reencarnado, porém, não ressuscitado.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Ressurreição e Reencarnação (Cap. IV, item 4.)



4. A reencarnação fazia parte dos dogmas dos judeus, sob o nome de ressurreição. Só os saduceus, cuja crença era a de que tudo acaba com a morte, não acreditavam nisso. As ideias dos judeus sobre esse ponto, como sobre muitos outros, não eram claramente definidas, porque apenas tinham vagas e incompletas noções acerca da alma e da sua ligação com o corpo. Criam eles que um homem que vivera podia reviver, sem saberem precisamente de que maneira o fato poderia dar-se. Designavam pelo termo ressurreição o que o Espiritismo, mais judiciosamente, chama reencarnação. Com efeito, a ressurreição dá ideia de voltar à vida o corpo que já está morto, o que a Ciência demonstra ser materialmente impossível, sobretudo quando os elementos desse corpo já se acham desde muito tempo dispersos e absorvidos. A reencarnação é a volta da alma ou Espírito à vida corpórea, mas em outro corpo especialmente formado para ele e que nada tem de comum com o antigo. A palavra ressurreição podia assim aplicar-se a Lázaro, mas não a Elias, nem aos outros profetas. Se, portanto, segundo a crença deles, João Batista era Elias, o corpo de João não podia ser o de Elias, pois que João fora visto criança e seus pais eram conhecidos. João, pois, podia ser Elias reencarnado, porém, não ressuscitado.

O Evangelho Segundo o Espiritismo | Allan Kardec | Por Claudio Damasceno Ferreira Junior Introdução | Página 68

segunda-feira, 17 de abril de 2017

A Vida Futura


Instruções dos Espíritos
Uma Realeza Terrena

1 - Pilatos, entrando de novo no palácio, chamou Jesus e perguntou: "Você é o rei dos judeus?" E Jesus respondeu: "O Meu Reino não é deste mundo. Se o Meu Reino fosse deste mundo, certamente, Meus seguidores, teriam lutado para que Eu não caísse nas mãos dos judeus, mas, por enquanto, Meu Reino ainda não é daqui". E Pilatos lhe perguntou: "Então, Você é rei?". E Jesus lhe respondeu: "Você está dizendo que Eu sou rei. Eu nasci e vim a este mundo para dar testemunho da verdade, e todo aquele que segue a verdade, ouve a Minha voz" (João, 18:33, 36 e 37).

A Vida Futura

2 - Por estas palavras, Jesus diz, claramente, que a vida futura deve ser a principal preocupação dos homens que vivem na Terra. Em todas as oportunidades Ele se refere a esse grande princípio. Sem a vida futura, a maioria de Seus ensinamentos morais não teria nenhuma razão de ser. Muitos não entenderam o que Jesus falou e acharam que Ele só estava se referindo à vida presente. Por não acreditarem na continuação da vida após a morte, não conseguiam entender a vida futura, achando até mesmo ingênuas as Suas palavras.

A vida futura pode ser considerada como o principal ensinamento de Jesus, e por isso foi colocada no início desta obra. Ela deve ser a meta de todos os homens. Somente a continuação da vida pode explicar as grandes diferenças que existem entre os homens, aqui na Terra, e fazer com que a justiça de Deus se cumpra ao longo do tempo.

3 - Os judeus não compreendiam muito bem a vida futura e acreditavam que os Anjos eram seres privilegiados da criação. Não sabiam que os homens, pelo seu desenvolvimento Espiritual, também poderiam se tornar Anjos e compartilhar da mesma felicidade. Pensavam que os bens materiais, a supremacia de sua nação perante as outras e as vitórias que conseguiam sobre seus inimigos eram a recompensa por cumprirem as Leis de Deus. Acreditavam, também, que as calamidades coletivas e as derrotas eram o castigo pela desobediência a essas Leis. Moisés não poderia dizer mais a um povo pastor, sem cultura e interessado somente nas coisas desse mundo. Mais tarde, Jesus veio ensinar que existe um outro mundo, onde a justiça de Deus segue o seu curso e onde os bons, que procuram seguir Seus mandamentos, encontram sua recompensa. Esse outro mundo é o Mundo Espiritual, para onde Jesus retorna após deixar a Terra.

Jesus precisou ajustar Seu ensinamento ao estado evolutivo dos homens daquela época, pois, se falasse toda a verdade, o povo não entenderia e, em vez de esclarecê-los, causaria mais dúvidas. Limitou-se a colocar a vida futura como sendo uma Lei da Natureza à qual ninguém pode escapar. Todo cristão acredita, de algum modo, na vida futura, mas a ideia que faz dela é ainda muito vaga. Para a grande maioria, ela é apenas uma crença desprovida de certeza absoluta, donde resultam as dúvidas e a dificuldade que muitos têm em compreender a continuação da vida após a morte.

Hoje, os homens estão mais maduros para compreender as verdades, e o Espiritismo vem completar os ensinamentos do Cristo sobre a vida futura e sobre vários outros aspectos. Com os ensinamentos da Doutrina Espírita, a vida futura não é mais uma incerteza; é, antes, uma realidade demonstrada pelos fatos, pois são os próprios Espíritos que vêm descrevê-la em todos os seus detalhes, não deixando margem a nenhuma dúvida. Mesmo as inteligências mais simples conseguem compreender que a continuação da vida é uma realidade, do mesmo modo que conseguimos imaginar um país do qual lemos apenas uma descrição detalhada. O relato que os Espíritos fazem de uma vida feliz ou infeliz, na vida futura, é feito de uma maneira tão verdadeira, tão racional, que reconhecemos não poder ser de outra forma. Assim, a verdadeira justiça de Deus somente irá se cumprir na vida futura, onde, através das sucessivas reencarnações, será possível resgatar nossos erros.



O Evangelho Segundo o Espiritismo | Allan Kardec | Por Claudio Damasceno Ferreira Junior Capítulo 2 | Página 47 | Meu Reino Não é Deste Mundo