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quinta-feira, 20 de abril de 2017

Introdução (II – Autoridade da doutrina espírita )



II – Autoridade da doutrina espírita 

Controle universal do ensino dos Espíritos 

Se a Doutrina Espírita fosse de concepção puramente humana, não ofereceria por penhor senão as luzes daquele que a houvesse concebido. Ora, ninguém, neste mundo, poderia alimentar fundadamente a pretensão de possuir, com exclusividade, a verdade absoluta. Se os Espíritos que a revelaram se houvessem manifestado a um só homem, nada lhe garantiria a origem, porquanto fora mister acreditar, sob palavra, naquele que dissesse ter recebido deles o ensino. Admitida, de sua parte, sinceridade perfeita, quando muito poderia ele convencer as pessoas de suas relações; conseguiria sectários, mas nunca chegaria a congregar todo o mundo. 

Quis Deus que a nova revelação chegasse aos homens por mais rápido caminho e mais autêntico. Incumbiu, pois, os Espíritos de levá-la de um polo a outro, manifestando-se por toda parte, sem conferir a ninguém o privilégio de lhes ouvir a palavra. Um homem pode ser ludibriado, pode enganar-se a si mesmo; já não será assim, quando milhões de criaturas veem e ouvem a mesma coisa. Constitui isso uma garantia para cada um e para todos. Ademais, pode fazer-se que desapareça um homem; mas não se pode fazer que desapareçam as coletividades; podem queimar-se os livros, mas não se podem queimar os Espíritos. Ora, queimassem-se todos os livros e a fonte da doutrina não deixaria de conservar-se inexaurível, pela razão mesma de não estar na Terra, de surgir em todos os lugares e de poderem todos dessedentar-se nela. Faltem os homens para difundi-la: haverá sempre os Espíritos, cuja atuação a todos atinge e aos quais ninguém pode atingir. 

São, pois, os próprios Espíritos que fazem a propagação, com o auxílio dos inúmeros médiuns que, também eles, os Espíritos, vão suscitando de todos os lados. Se tivesse havido unicamente um intérprete, por mais favorecido que fosse, o Espiritismo mal seria conhecido. Qualquer que fosse a classe a que pertencesse, tal intérprete houvera sido objeto das prevenções de muita gente e nem todas as nações o teriam aceitado, ao passo que os Espíritos se comunicam em todos os pontos da Terra, a todos os povos, a todas as seitas, a todos os partidos, e todos os aceitam. O Espiritismo não tem nacionalidade e não faz parte de nenhum culto existente; nenhuma classe social o impõe, visto que qualquer pessoa pode receber instruções de seus parentes e amigos de além-túmulo. Cumpre seja assim, para que ele possa conduzir todos os homens à fraternidade. Se não se mantivesse em terreno neutro, alimentaria as dissensões, em vez de apaziguá-las. 

Nessa universalidade do ensino dos Espíritos reside a força do Espiritismo e, também, a causa de sua tão rápida propagação. Ao passo que a palavra de um só homem, mesmo com o concurso da imprensa, levaria séculos para chegar ao conhecimento de todos, milhares de vozes se fazem ouvir simultaneamente em todos os recantos do planeta, proclamando os mesmos princípios e transmitindo-os aos mais ignorantes, como aos mais doutos, a fim de que não haja deserdados. É uma vantagem de que não gozara ainda nenhuma das doutrinas surgidas até hoje. Se o Espiritismo, portanto, é uma verdade, não teme o malquerer dos homens, nem as revoluções morais, nem as subversões físicas do globo, porque nada disso pode atingir os Espíritos. 

Não é essa, porém, a única vantagem que lhe decorre da sua excepcional posição. Ela lhe faculta inatacável garantia contra todos os cismas que pudessem provir, seja da ambição de alguns, seja das contradições de certos Espíritos. Tais contradições, não há negar, são um escolho; mas que traz consigo o remédio, ao lado do mal. 

Sabe-se que os Espíritos, em virtude da diferença entre as suas capacidades, longe se acham de estar, individualmente considerados, na posse de toda a verdade; que nem a todos é dado penetrar certos mistérios; que o saber de cada um deles é proporcional à sua depuração; que os Espíritos vulgares mais não sabem do que muitos homens; que entre eles, como entre estes, há presunçosos e sofômanos, que julgam saber o que ignoram; sistemáticos, que tomam por verdades as suas ideias; enfim, que só os Espíritos da categoria mais elevada, os que já estão completamente desmaterializados, se encontram despidos das ideias e preconceitos terrenos; mas também é sabido que os Espíritos enganadores não escrupulizam em tomar nomes que lhes não pertencem, para impingirem suas utopias. Daí resulta que, com relação a tudo o que seja fora do âmbito do ensino exclusivamente moral, as revelações que cada um possa receber terão caráter individual, sem cunho de autenticidade; que devem ser consideradas opiniões pessoais de tal ou qual Espírito e que imprudente fora aceitá-las e propagá-las levianamente como verdades absolutas. 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

A Lei do Amor | 10



Sansão, antigo membro da Sociedade Espírita de Paris, 1863

10 - Meus caros companheiros de estudo, os Espíritos aqui presentes falam a vocês por meu intermédio: Amem muito para serem amados! Esse pensamento é tão justo que encontrarão nele tudo o que consola e acalma as aflições de cada dia, ou, melhor: praticando o ensinamento de amar para ser amado, irão se elevar de tal maneira acima da matéria, que se espiritualizarão antes mesmo de deixarem o corpo físico. Através dos estudos espíritas, puderam aumentar a compreensão em relação ao futuro, e possuem hoje uma certeza: chegarão até Deus vendo realizadas as promessas que correspondem às aspirações de suas almas. Procurem se elevar bem alto, para julgarem sem limitações da matéria e não condenarem o próximo sem antes terem dirigido o pensamento a Deus.

Amar, no sentido profundo da palavra, é ser honrado, leal, consciencioso, e fazer aos outros aquilo que deseja para si mesmo. É procurar aliviar as dores que afligem os irmãos que nos rodeiam. É olhar a grande família humana como se fosse a sua, porque a encontrarão em outra época, em mundos mais adiantados, pois os Espíritos que a compões são, também, filhos de Deus destinados a se elevarem ao infinito.

Não recusem o amor que receberam, generosamente, de Deus a nenhum de seus irmão. Ficariam também felizes se recebessem, deles, tudo o que necessitam. Deem a todos os sofredores uma palavra de esperança e de conforto, e serão todo amor e todo justiça.

Acreditem que essas sábias palavras: "Amem muito, para serem amados", seguirão seu caminho de maneira firme e imutável, pois elas são revolucionárias. Entretanto, os que me escutam já ganharam algo: são, hoje, infinitamente melhores do que eram há cem anos. Mudaram de tal modo para melhor que, atualmente, aceitam, sem contestar, uma grande quantidade de novas ideias sobre a liberdade e a fraternidade, que antigamente não aceitavam. Daqui a cem anos, facilmente, aceitarão outras ideias que, no momento, não conseguem compreender.

Hoje, que o movimento Espírita avançou bastante, vejam com que rapidez as ideias de justiça e de renovação, encontradas nos ensinamentos dos Espíritos, são aceitas por boa parte do mundo inteligente. É porque essas ideias correspondem a tudo que existe de Divino em cada um de vocês. A semeadura fértil do último século implantou na sociedade as grandes ideias de progresso. E como tudo está sob orientação do Altíssimo, todas as lições recebidas e aceitas resultarão em uma mudança universal no que diz respeito ao amor em relação ao próximo. Pela orientação do Espiritismo, os Espíritos encarnados, compreendendo melhor as coisas e sentindo-se como irmãos, vão reunir-se fraternalmente por todo o planeta, acabando com todas as injustiças e todas as causas de desentendimento entre os povos.

Essa grande renovação causada pela Doutrina Espírita, tão bem exposta no Livro dos Espíritos, produzirá o grande milagre dos séculos futuros: o da conciliação de todos os interesses e espirituais dos homens, pela aplicação desse ensinamento bem compreendido: "Amem muito, para também serem amados".


O Evangelho Segundo o Espiritismo | Allan Kardec | Por Claudio Damasceno Ferreira Junior Capítulo 11 | Página 143 | Amar O Próximo Como A Si Mesmo

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Coragem Da Fé


13 - Jesus disse: "Todo aquele que aceitar Meus ensinamentos e Me reconhecer diante dos homens, Eu também o reconhecerei e o levarei para diante de Meu Pai que está nos Céus. E todo aquele que Me renegar diante dos homens, Eu também o renegarei diante de Meu Pai que está nos Céus" (Mateus, 10:32 e 33).

14 - Jesus também disse: "Se alguém se envergonhar de Mim e das minhas palavras, Eu também, desse, me envergonharei, quando vier na glória de Meu Pai e dos santos anjos" (Lucas, 9:26).

15 - Sempre é muito considerado, entre os homens, aquele que tem coragem de manifestar sua própria opinião. Existe um grande mérito em enfrentar os perigos, as perseguições, as contradições e, até mesmo, as simples ironias a que se expões todo aquele que não teme confessar abertamente suas ideias, que quase sempre não são as da maioria. Aqui, como em tudo, o mérito está na razão direta dos resultados conseguidos perante uma determinada situação. Sempre existe fraqueza em recuar diante das dificuldades de defender sua opinião, mas há casos em que isso constitui uma covardia tão grande quanto a de fugir da luta no momento do combate.

Jesus, em Sua Doutrina, condena essa covardia, ao dizer que, se alguém se envergonhar de Suas palavras, desse, também, Ele se envergonhará; que renegará aquele que O tiver renegado; que reconhecerá diante do Pai que está nos Céus aquele que O reconhecer diante dos homens". Em outras palavras: aqueles que tiverem medo de se confessar discípulos da verdade, não são dignos de entrar no Reino de Verdade. Perderão, assim, o benefício de sua fé, pois é uma fé egoísta que eles guardam para si mesmos. Escondem essa fé com medo dos prejuízos que ela possa lhes acarretar nesse mundo, ao passo que aqueles que colocam a verdade acima de seus interesses materiais e a proclamam abertamente, trabalham, ao mesmo tempo, pelo seu próprio futuro e pelo dos outros.

16 - Assim também será com os adeptos do Espiritismo, pois sua Doutrina é o desenvolvimento e a aplicação do Evangelho. É aos Espíritas que o Cristo também dirige Suas palavras ao dizer: "Eles semeiam na Terra o que colherão na Vida Espiritual. Lá, colherão os frutos de sua coragem ou de sua fraqueza".

O Evangelho Segundo o Espiritismo | Allan Kardec | Por Claudio Damasceno Ferreira Junior | Capítulo 24 | Página 260 | Não Coloquem A Candeia Debaixo do Alqueire

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Observem os Pássaros do Céu



6 - Não acumulem tesouros na Terra, onde a ferrugem e os vermes irão consumi-los e onde os ladrões os desenterram e roubam. Acumulem tesouros no Céu, onde nem a ferrugem, nem os vermes irão consumi-los e onde os ladrões não entram, nem roubam pois, onde estiver o tesouro que possuem, aí, também, estará o coração de vocês.

Por isso, Eu digo a vocês: Não se preocupem em saber onde encontrarão alimento para sustentar suas vidas, nem onde encontrarão roupas para cobrir seus corpos. A vida não é mais do que o alimento? O corpo não é mais do que a roupa?

Observem os pássaros do Céu: eles não semeiam e não colhem, e nem guardam nada em celeiros, mas o Pai Celestial os alimenta a todos. Será que os homens não valem mais do que os pássaros? E qual, dentre vocês, por mais que queira, pode acrescentar meio metro à sua estatura?

Por que também se preocupam com a roupa? Observem como crescem os lírios do campo, eles não trabalham, nem tecem, entretanto, Eu afirmo que nem Salomão com toda a sua glória, nunca se vestiu como um deles. Se Deus tem o cuidado de vestir dessa forma uma erva do campo, que hoje existe e amanhã será lançada na fornalha, quanto mais cuidado terá em vesti-los, homem de pouca fé?

Não se inquietem, perguntando: o que vamos comer, o que vamos beber, co o que vamos nos vestir? Os pagãos é que procuram todas essas coisas. O Pai Celestial sabe que vocês têm necessidade delas.

Busquem, primeiro, o Reino de Deus e Sua Justiça, e todas essas coisas lhes serão dadas por acréscimo. Por isso, não se preocupem com o dia de amanhã, pois o amanhã cuidará de si mesmo. A cada dia já basta a sua própria aflição (Mateus, 6:19 a 21, 25 a 34).

O Evangelho Segundo o Espiritismo | Allan Kardec | Por Claudio Damasceno Ferreira Junior | Capítulo 25 | Página 264| Busquem E Vocês Encontrarão

domingo, 16 de outubro de 2016

Não vim destruir a Lei


As três Revelações:
Moisés, Cristo e o Espiritismo
Aliança da Ciência com a Religião

Instrução dos Espíritos:

A Nova Era

1. Jesus disse: "Não pensem que Eu vim destruir a Lei ou desmentir o que os Profetas disseram. Não vim destruí-los, mas vim para dar cumprimento às Leis de Deus. Em verdade, Eu digo a vocês que o Céu e a Terra não passarão antes que tudo o que está na Lei seja totalmente cumprido" (Mateus, 5:17 e 18).

Moisés

2. A Lei de Moisés é composta por duas partes bem distintas: A Lei de Deus, recebida no Monte Sinai, e a Lei Civil ou Disciplinar, estabelecida por ele mesmo. A Lei de Deus é inalterável, já a Lei Civil ou Disciplinar era apropriada aos costumes e ao povo daquela época; por isso modificou-se com o tempo.

A Lei de Deus está escrita nos Dez Mandamentos seguintes:

1. Eu sou o Deus que os tirou do Egito, onde eram escravos. Não deverá haver outros deuses estrangeiros a serem adorados, nem será preciso fazer imagens talhadas para representar a Mim ou as coisas da Terra, da Água ou do Céu;

2. Não pronunciar o nome de Deus em vão;

3. O dia de sábado deve ser santificado.

4. Honrar e respeitar o pai e a mãe;

5. Não matar;

6. Não cometer adultério;

7. Não roubar;

8. Não testemunhar falsamente contra o próximo;

9. Não desejar a mulher do próximo;

10. Não desejar nada que pertença ao seu próximo.

Esta Lei, conhecida como os Dez Mandamentos, foi recebida por Moisés no Monte Sinai, e é considerada uma Lei válida para todos os tempos e para todos os países, tendo, por isso mesmo, um caráter Divino. Moisés precisou criar várias Leis rígidas para manter, pelo temor, um povo naturalmente turbulento e indisciplinado. Era preciso combater os abusos e os preconceitos adquiridos pelo povo hebreu durante os anos em que permaneceram como escravos no Egito. Moisés, para dar autoridade às suas Leis, precisou atribuir-lhes uma origem Divina, assim como já haviam feito todos os legisladores dos povos primitivos. A autoridade do homem precisava apoiar-se sobre a autoridade de Deus. Somente a ideia de um Deus terrível poderia impressionar homens ignorantes, pouco desenvolvidos moralmente e com pequeno senso de justiça. É evidente que Moisés, ao incluir entre os seus mandamentos Não matar e Não fazer mal ao próximo, não poderia se contradizer fazendo uma Lei que mandasse exterminar outros povos. Assim, as Leis de Moisés tiveram um caráter essencialmente transitório e foram úteis somente para sua época.

O Cristo