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quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

O Cristo Consolador



CAPÍTULO VI 

O Cristo Consolador

• O jugo leve • Consolador prometido 
• Instruções dos Espíritos: Advento do Espírito de Verdade


O jugo leve

1. Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, que Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei comigo que sou brando e humilde de coração e achareis repouso para vossas almas, pois é suave o meu jugo e leve o meu fardo.               ( Mateus, 11:28 a 30.)

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Meu Reino Não É Deste Mundo



• A vida futura 

• A realeza de Jesus 

• O ponto de vista 

• Instruções dos Espíritos: Uma realeza terrestre


1. Pilatos, tendo entrado de novo no palácio e feito vir Jesus à sua presença, perguntou-lhe: “És o rei dos judeus?” — Respondeu-lhe Jesus: “Meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, a minha gente houvera combatido para impedir que eu caísse nas mãos dos judeus; mas o meu reino ainda não é aqui.”

Disse-lhe então Pilatos: “És, pois, rei?” — Jesus lhe respondeu: “Tu o dizes; sou rei; não nasci e não vim a este mundo senão para dar testemunho da verdade. Aquele que pertence à verdade escuta a minha voz.” (João, 18:33, 36 e 37.)

A vida futura

2. Por essas palavras, Jesus claramente se refere à vida futura, que Ele apresenta, em todas as circunstâncias, como a meta que a Humanidade irá ter e como devendo constituir objeto das maiores preocupações do homem na Terra. Todas as suas máximas se reportam a esse grande princípio. Com efeito, sem a vida futura, nenhuma razão de ser teria a maior parte dos seus preceitos morais, donde vem que os que não creem na vida futura, imaginando que Ele apenas falava na vida presente, não os compreendem, ou os consideram pueris.

Esse dogma pode, portanto, ser tido como o eixo do ensino do  Cristo, pelo que foi colocado num dos primeiros lugares à frente desta obra. É que ele tem de ser o ponto de mira de todos os homens; só ele justifica as anomalias da vida terrena e se mostra de acordo com a Justiça de Deus.

3. Apenas ideias muito imprecisas tinham os judeus acerca da vida futura. Acreditavam nos anjos, considerando-os seres privilegiados da Criação; não sabiam, porém, que os homens podem um dia tornar-se anjos e partilhar da felicidade destes. Segundo eles, a observância das Leis de Deus era recompensada com os bens terrenos, com a supremacia da nação a que pertenciam, com vitórias sobre os seus inimigos. As calamidades públicas e as derrotas eram o castigo da desobediência àquelas leis. Moisés não pudera dizer mais do que isso a um povo pastor e ignorante, que precisava ser tocado, antes de tudo, pelas coisas deste mundo. Mais tarde, Jesus lhe revelou que há outro mundo, onde a Justiça de Deus segue o seu curso. É esse o mundo que Ele promete aos que cumprem os mandamentos de Deus e onde os bons acharão sua recompensa. Aí o seu reino; lá é que Ele se encontra na sua glória e para onde voltaria quando deixasse a Terra. 

Jesus, porém, conformando seu ensino com o estado dos homens de sua época, não julgou conveniente dar-lhes luz completa, percebendo que eles ficariam deslumbrados, visto que não a compreenderiam. Limitou-se a, de certo modo, apresentar a vida futura apenas como um princípio, como uma Lei da Natureza a cuja ação ninguém pode fugir. Todo cristão, pois, necessariamente crê na vida futura; mas a ideia que muitos fazem dela é ainda vaga, incompleta e, por isso mesmo, falsa em diversos pontos. Para grande número de pessoas, não há, a tal respeito, mais do que uma crença, balda de certeza absoluta, donde as dúvidas e mesmo a incredulidade. 

O Espiritismo veio completar, nesse ponto, como em vários outros, o ensino do Cristo, fazendo-o quando os homens já se mostram maduros bastante para apreender a verdade. Com o Espiritismo, a vida futura deixa de ser simples artigo de fé, mera hipótese; torna-se uma realidade material, que os fatos demonstram, porquanto são testemunhas oculares os que a descrevem nas suas fases todas e em todas as suas peripécias, e de tal sorte que, além de impossibilitarem qualquer dúvida a esse propósito, facultam à mais vulgar inteligência a possibilidade de imaginá-la sob seu verdadeiro aspecto, como toda gente imagina um país cuja pormenorizada descrição leia. Ora, a descrição da vida futura é tão circunstanciadamente feita, são tão racionais as condições, ditosas ou infortunadas, da existência dos que lá se encontram, quais eles próprios pintam, que cada um, aqui, a seu mau grado, reconhece e declara a si mesmo que não pode ser de outra forma, porquanto, assim sendo, patente fica a verdadeira Justiça de Deus.

A realeza de Jesus 

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Prefácio



Os Espíritos do Senhor, que são as virtudes dos Céus, qual imenso exército que se movimenta ao receber as ordens do seu comando, espalham-se por toda a superfície da Terra e, semelhantes a estrelas cadentes, vêm iluminar os caminhos e abrir os olhos aos cegos. Eu vos digo, em verdade, que são chegados os tempos em que todas as coisas hão de ser restabelecidas no seu verdadeiro sentido, para dissipar as trevas, confundir os orgulhosos e glorificar os justos. As grandes vozes do Céu ressoam como sons de trombetas, e os cânticos dos anjos se lhes associam. Nós vos convidamos, a vós homens, para o divino concerto. Tomai da lira, fazei uníssonas vossas vozes, e que, num hino sagrado, elas se estendam e repercutam de um extremo a outro do Universo. Homens, irmãos a quem amamos, aqui estamos junto de vós. 

Amai-vos, também, uns aos outros e dizei do fundo do coração, fazendo as vontades do Pai, que está no Céu: Senhor! Senhor!... e podereis entrar no Reino dos Céus.

O Espírito de Verdade



Nota – A instrução acima, transmitida por via mediúnica, resume a um tempo o verdadeiro caráter do Espiritismo e a finalidade desta obra; por isso foi colocada aqui como prefácio.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Busquem e Vocês Encontrarão


4 - Devido ao princípio de que o homem precisa evoluir sempre, os Espíritos não o poupam do trabalho de pesquisa e não lhe trazem descobertas e invenções já prontas para serem utilizadas. Se isso ocorresse, o homem seria levado a usar apenas o que lhe fosse colocado nas mãos, preservando-se de qualquer esforço, inclusive o de pensar. Assim, sem fazer o menor esforço, o mais preguiçoso dos homens poderia ficar rico; o mais inculto poderia tornar-se sábio e ainda atribuírem a si mesmos o mérito pelo que não fizeram. Não! Os Espíritos não vêm isentar o homem da Lei do Trabalho; eles vêm lhe mostrar a meta a ser atingida e o caminho que conduz a ela, dizendo-lhe: "Ande e você chegará, e a pedra que encontrar pelo caminho, você mesmo terá que afastar". Porém, nós lhe daremos a força necessária, se quiser utilizá-la em benefício próprio (consulte Livro dos Médiuns, cap. 26:291 e seguintes).

O Evangelho Segundo o Espiritismo | Allan Kardec | Por Claudio Damasceno Ferreira Junior Capítulo 25 | Página 264 | Busquem e Vocês Encontrarão

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

A Lei do Amor | 10



Sansão, antigo membro da Sociedade Espírita de Paris, 1863

10 - Meus caros companheiros de estudo, os Espíritos aqui presentes falam a vocês por meu intermédio: Amem muito para serem amados! Esse pensamento é tão justo que encontrarão nele tudo o que consola e acalma as aflições de cada dia, ou, melhor: praticando o ensinamento de amar para ser amado, irão se elevar de tal maneira acima da matéria, que se espiritualizarão antes mesmo de deixarem o corpo físico. Através dos estudos espíritas, puderam aumentar a compreensão em relação ao futuro, e possuem hoje uma certeza: chegarão até Deus vendo realizadas as promessas que correspondem às aspirações de suas almas. Procurem se elevar bem alto, para julgarem sem limitações da matéria e não condenarem o próximo sem antes terem dirigido o pensamento a Deus.

Amar, no sentido profundo da palavra, é ser honrado, leal, consciencioso, e fazer aos outros aquilo que deseja para si mesmo. É procurar aliviar as dores que afligem os irmãos que nos rodeiam. É olhar a grande família humana como se fosse a sua, porque a encontrarão em outra época, em mundos mais adiantados, pois os Espíritos que a compões são, também, filhos de Deus destinados a se elevarem ao infinito.

Não recusem o amor que receberam, generosamente, de Deus a nenhum de seus irmão. Ficariam também felizes se recebessem, deles, tudo o que necessitam. Deem a todos os sofredores uma palavra de esperança e de conforto, e serão todo amor e todo justiça.

Acreditem que essas sábias palavras: "Amem muito, para serem amados", seguirão seu caminho de maneira firme e imutável, pois elas são revolucionárias. Entretanto, os que me escutam já ganharam algo: são, hoje, infinitamente melhores do que eram há cem anos. Mudaram de tal modo para melhor que, atualmente, aceitam, sem contestar, uma grande quantidade de novas ideias sobre a liberdade e a fraternidade, que antigamente não aceitavam. Daqui a cem anos, facilmente, aceitarão outras ideias que, no momento, não conseguem compreender.

Hoje, que o movimento Espírita avançou bastante, vejam com que rapidez as ideias de justiça e de renovação, encontradas nos ensinamentos dos Espíritos, são aceitas por boa parte do mundo inteligente. É porque essas ideias correspondem a tudo que existe de Divino em cada um de vocês. A semeadura fértil do último século implantou na sociedade as grandes ideias de progresso. E como tudo está sob orientação do Altíssimo, todas as lições recebidas e aceitas resultarão em uma mudança universal no que diz respeito ao amor em relação ao próximo. Pela orientação do Espiritismo, os Espíritos encarnados, compreendendo melhor as coisas e sentindo-se como irmãos, vão reunir-se fraternalmente por todo o planeta, acabando com todas as injustiças e todas as causas de desentendimento entre os povos.

Essa grande renovação causada pela Doutrina Espírita, tão bem exposta no Livro dos Espíritos, produzirá o grande milagre dos séculos futuros: o da conciliação de todos os interesses e espirituais dos homens, pela aplicação desse ensinamento bem compreendido: "Amem muito, para também serem amados".


O Evangelho Segundo o Espiritismo | Allan Kardec | Por Claudio Damasceno Ferreira Junior Capítulo 11 | Página 143 | Amar O Próximo Como A Si Mesmo

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Bem-Aventurados Aqueles Que Têm Os Olhos Fechados



Vianney, Páraco de Ars - Paris, 1863

20 - Meus bons amigos, por que me chamaram? Será que foi para curar esta pobre sofredora, impondo sobre ela minhas mãos? Que sofrimento, santo Deus! Ela perdeu a visão e ficou nas trevas. Pobre criança! Ela que ore e mantenha acesa a chama da esperança. Não sei fazer milagres sem a vontade do bom Deus. Todas as curas que obtive, e que são do conhecimento de todos, devem ser atribuídas apenas ao Senhor, Pai de todos nós.

Quando estiverem aflitos, olhem sempre para o Céu e digam, do fundo do coração: "Meu Pai, curai-me, mas faça com que minha alma doente seja curada antes das enfermidades do meu corpo. Castigue minha carne, se isso for necessário, para que minha alma chegue até o Senhor com a brancura que possuía quando saiu de suas mãos". Após essa prece, meu bons amigos, que o bom Deus sempre ouvirá, receberão a força e a coragem, e, talvez, também a cura que timidamente pediram, como recompensa pelo devotamento que tiveram.

Por estar em uma assembléia onde o assunto principal é o escudo, eu digo que todos aqueles que estão privados da visão deveriam estar felizes pela prova que suportam. É preciso lembrar-se do que o Cristo falou: "Se possuem um olho mau, melhor seria arrancá-lo e atirá-lo ao fogo, evitando que ele cause a perdição de vocês". Quantos existem na Terra que, um dia, nas trevas, amaldiçoarão terem visto a luz! Como são felizes os que suportam a prova de ficar sem a visão! Seu olho não será motivo nem de escândalo e nem de queda. Os cegos podem viver inteiramente a vida das almas e podem ver mais do que aqueles que têm boa visão. Quando Deus me permite devolver a visão para alguns desses pobres sofredores, digo a mim mesmo: "Alma querida, por que será que você desconhece todas as delícias do Espírito, que, não podendo enxergar, vive de contemplação e de amor? Então, não pediria para ver imagens menos puras e menos dignas do que aquelas que você percebe sem a sua visão.

Bem-aventurado o cego que quer viver com Deus! Ele é mais feliz do que os que estão aqui, pois ele sente a felicidade, pode tocá-la, vê as almas e pode se lançar com elas nas Esferas Espirituais, que nem mesmo os predestinados da Terra conseguem ver. Os olhos abertos estão sempre prontos a fazer com que a alma se perca. Os olhos fechados, pelo contrário, estão sempre prontos para faze com que a alma se eleve para Deus. Meus bons amigos, acreditem em mim, a cegueira dos olhos é, muitas vezes, a verdadeira luz do coração, enquanto a vista é muitas vezes o anjo tenebroso que conduz à morte.

E agora, algumas palavras para você, minha pobre sofredora: tenha esperança e seja corajosa! Se eu lhe dissesse: "Minha filha, seus olhos vão se abrir, como ficaria feliz!". E quem sabe se essa alegria não seria a sua perdição? Tenha confiança no bom Deus que fez a felicidade e permite a tristeza! Farei por você tudo o que me for permitido, mas, por sua vez, faça uma oração e reflita sobre o que eu acabo de lhe dizer.

Antes de partir, todos que estão aqui, recebam a minha bênção.

21 - Nota: Quando uma aflição não é consequência dos atos da vida presente, é preciso procurar a sua causa em uma vida anterior. O que chamamos de caprichos da vida nada mais são do que os efeitos da Justiça de Deus, ou melhor, o cumprimento da Lei de Causa e Efeito. Ele não aplica punições injustas e quer que, entre a falta cometida e a reparação da falta, sempre exista uma relação. Se Deus, em sua bondade, lançou um véu sobre nossos atos passados, aponta-nos, entretanto, o caminho, dizendo: "Quem matou pela espada, pela espada morrerá", palavras que podem ser traduzidas assim: "Sempre se é corrigido naquilo em que se errou". Se alguém está aflito pela perda da visão, é porque esta lhe foi causa de queda. Talvez essa criatura tenha sido responsável pela perda da visão de outra pessoa, talvez ela tenha levado alguém à cegueira pelo excesso de trabalho que lhe impôs, ou como consequência de maus tratos, ou falta de cuidado, etc. Desse modo, ela sofre, agora, a Pena de Talião, que manda pagar o mal com o mal. Ela mesma, antes de reencarnar, em seu arrependimento, pode ter escolhido essa prova, aplicando a si própria as palavras de Jesus: "Se o olho é motivo de escândalo, arranque-o".


O Evangelho Segundo o Espiritismo | Allan Kardec | Por Claudio Damasceno Ferreira Junior  Capítulo 8 | Página 118 | Bem-Aventurados Os Puros de Coração

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Os Últimos Serão Os Primeiros



Instruções dos Espíritos

Constantino, Espírito Protetor - Bordeaux, 1863

2 - O trabalhador da última hora tem direito ao salário; para isso, é preciso que sua boa vontade permaneça à disposição do senhor que vai lhe oferecer o emprego, e que esse atraso não seja fruto de sua preguiça ou de sua má vontade. Ele tem direito ao salário porque, desde o amanhece, esperava impaciente aquele que o chamaria para trabalhar. Era trabalhar. Era trabalhador, apenas lhe faltava o trabalho.

Porém, se ele tivesse recusado o trabalho, a qualquer hora do dia, e se tivesse dito: "Tenham paciência! O repouso me faz bem. Quando me importa trabalhar para um senhor que não conheço, nem estimo? Quanto mais tarde, melhor." Esse, meus amigos, não receberia o salário do trabalhador, e sim o da preguiça.

E o que será daquele que, em vez de permanecer ocioso, empregar as horas destinadas ao trabalho para praticar a delinquência? Insultar Deus com palavras ultrajantes? Derramar o sangue de seus irmãos? Lançar desarmonia entre as famílias? Arruinar homens de boa fé? Abusar da inocência? Enfim, praticar todas as maldades humanas? O que será dele? Será suficiente dizer, na última hora: "Senhor, utilizei mal meu tempo, não quer me empregar até o fim do dia, para que eu faça, pelo menos, um pouco da minha tarefa e, assim, me pagar o salário do trabalhador de boa vontade?" Não. O Senhor dirá: "Não tenho nenhum trabalho para você no momento. Desperdiçou seu tempo, esqueceu o que havia aprendido e não sabe mais trabalhar na Minha vinha. Você deve recomeçar a sua aprendizagem e, quando estiver mais disposto, venha Me procurar e Eu lhe abrirei Meu vasto campo, onde poderá trabalhar a qualquer hora do dia."

Bons Espíritas, meus bem-amados, todos vocês são os trabalhadores da última hora. Pode sentir-se bem orgulhoso o homem que disser: "Comecei meu trabalho ao alvorecer do dia e só terminei ao anoitecer." Todos vocês vieram quando foram chamados, uns mais cedo, outros um pouco mais tarde, para a reencarnação que agora estão vivendo. Porém, há quantos séculos o Senhor os está chamando para trabalhar em Sua vinha, sem que aceitem o convite? É chegado o momento de receber o salário, empreguem bem esta hora que resta e nunca esqueçam que a existência, por mais longa que possa parecer, não passa de um momento muito breve na imensidade dos tempos que formam, para vocês, a eternidade.

Henri Heine - Paris, 1863.

3 - Jesus empregava a simplicidade dos símbolos em Sua linguagem. Os trabalhadores da primeira horam foram Moisés, os Profetas e todos os espíritos superiores que reencarnaram para iniciar as diversas etapas do progresso. Eles foram os porta-vozes da Espiritualidade. Os trabalhadores da segunda hora foram os primeiros mártires, aqueles que deram sua vida pelo Cristianismo, os apóstolos, os sábios, os filósofos, os Pais da Igreja, entre eles, Santo Agostinho e São Tomaz de Aquino. Os trabalhadores da última hora são os Espíritas. eles foram anunciados e profetizados desde a vinda de Jesus e, mesmo chegando por último, eles receberão uma recompensa ainda maior.

Por serem os últimos a chegar, os Espíritas aproveitam o trabalho intelectual já realizado por seus antecessores, pois o homem deve herdar do homem. O trabalho dos Espíritas e seus resultados são coletivos, e Deus abençoa a solidariedade. Muitos daquela época revivem hoje, ou reviverão amanhã, para completar a obra que outrora iniciaram. Mais de um Patriarca, mais de um Profeta, mais de um discípulo do Cristo, mais de um propagador da fé cristã encontra-se entre vocês. Eles estão mais esclarecidos, mais adiantados, por isso, trabalham, hoje, na cúpula do edifício e não mais na base. Seus salários serão proporcionais ao seu mérito na obra.

A reencarnação valoriza e faz com que a filiação espiritual se torne eterna. O Espírito, chamado a prestar contas de seu mandato terreno, sente no ar o pensamento de seus antecessores e compreende que a tarefa, que outrora começou, deve continuar. Então, retorna para a luta, amadurecido pela experiência adquirida e procura avançar ainda mais. Todos os trabalhadores, tanto da primeira como da última hora, compreendem a profunda Justiça de Deus e, em vez de se lamentarem, passam a adorá-lo.

Um dos verdadeiros sentidos dessa parábola, em que os últimos serão os primeiros, como em todas as outras parábolas que Jesus dirigiu ao povo, contém o ensinamento de que a vida continua no futuro. As parábolas trazem, através de suas formas e imagens, a compreensão da magnífica harmonia entre todas as coisas do Universo e da solidariedade que liga os seres de hoje com o passado e o futuro.


O Evangelho Segundo o Espiritismo | Allan Kardec | Por Claudio Damasceno Ferreira Junior | Capítulo 20 | Página 230 | Os Trabalhadores Da Última Hora

Os Trabalhadores Da Última Hora



Instruções dos Espíritos:
* Os últimos serão os primeiros
*Missão dos Espíritas
* Os trabalhadores do Senhor

1 - O Reino dos Céus é semelhante ao pai de família que saiu, de madrugada, para contratar trabalhadores para sua vinha. Depois de acertar com os trabalhadores o pagamento de uma moeda por dia de trabalho, enviou-os para sua vinha. saiu, novamente, à terceira hora do dia, e encontrando na praça outros trabalhadores, que estavam sem fazer nada, disse-lhes: "Vão, vocês também, trabalhar na minha vinha e eu lhes pagarei o que for razoável" - e eles foram. Saiu, ainda, na sexta e na nona hora do dia e fez a mesma coisa. E, saindo na décima primeira hora, encontrou outros trabalhadores que também estavam desocupados, e perguntou: "Por que vocês ficam aí todo o dia, sem fazer nada?" "Por que ninguém nos dá trabalho", disseram eles. Então, o pai de família lhes disse: "Vão, também, trabalhar na minha vinha" - e eles foram.

Ao cair da tarde, o senhor da vinha disse ao seu administrador: "Chame os trabalhadores e pague-lhes o salário, porém, inicie o pagamento pelos últimos que chegaram, para só depois pagar os primeiros." Aproximaram-se, então, os trabalhadores que chegaram à vinha apenas na décima primeira hora, e receberam uma moeda cada um. Ao chegarem os primeiro trabalhadores que foram contratados, pensaram que iriam ganhar mais, porém, eles também receberam uma moeda cada um. Ao recebê-la, queixaram-se do pai de família dizendo: "Os últimos trabalharam apenas uma hora, e receberam tanto quanto nós, que suportamos o peso do dia e do calor." E o senhor respondeu a um deles: "Meu amigo, não cometi nenhuma injustiça com você. Não combinamos que eu iria pagar uma moeda por sua jornada de trabalho? Pegue o que lhe pertence e vá. Quanto a mim, quero dar a esse último tanto quanto dei a você. Será que não me é permitido fazer o que quero com o meu dinheiro? E o seu olho é mau só porque eu sou bom?

Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos, porque muitos são os chamados e poucos são os escolhidos (Mateus, 20:1 a 16. Veja também: Parábola da festa de núpcias, 18:1).

O Evangelho Segundo o Espiritismo | Allan Kardec | Por Claudio Damasceno Ferreira Junior | Capítulo 20 | Página 229 | Os Trabalhadores Da Última Hora


Comentários:

1 - Terceira hora do dia: Nove horas da manhã;
     Sexta hora: Meio-dia;
     Nona hora: três horas da tarde;
     Décima primeira hora: Seis horas da tarde.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Coragem Da Fé


13 - Jesus disse: "Todo aquele que aceitar Meus ensinamentos e Me reconhecer diante dos homens, Eu também o reconhecerei e o levarei para diante de Meu Pai que está nos Céus. E todo aquele que Me renegar diante dos homens, Eu também o renegarei diante de Meu Pai que está nos Céus" (Mateus, 10:32 e 33).

14 - Jesus também disse: "Se alguém se envergonhar de Mim e das minhas palavras, Eu também, desse, me envergonharei, quando vier na glória de Meu Pai e dos santos anjos" (Lucas, 9:26).

15 - Sempre é muito considerado, entre os homens, aquele que tem coragem de manifestar sua própria opinião. Existe um grande mérito em enfrentar os perigos, as perseguições, as contradições e, até mesmo, as simples ironias a que se expões todo aquele que não teme confessar abertamente suas ideias, que quase sempre não são as da maioria. Aqui, como em tudo, o mérito está na razão direta dos resultados conseguidos perante uma determinada situação. Sempre existe fraqueza em recuar diante das dificuldades de defender sua opinião, mas há casos em que isso constitui uma covardia tão grande quanto a de fugir da luta no momento do combate.

Jesus, em Sua Doutrina, condena essa covardia, ao dizer que, se alguém se envergonhar de Suas palavras, desse, também, Ele se envergonhará; que renegará aquele que O tiver renegado; que reconhecerá diante do Pai que está nos Céus aquele que O reconhecer diante dos homens". Em outras palavras: aqueles que tiverem medo de se confessar discípulos da verdade, não são dignos de entrar no Reino de Verdade. Perderão, assim, o benefício de sua fé, pois é uma fé egoísta que eles guardam para si mesmos. Escondem essa fé com medo dos prejuízos que ela possa lhes acarretar nesse mundo, ao passo que aqueles que colocam a verdade acima de seus interesses materiais e a proclamam abertamente, trabalham, ao mesmo tempo, pelo seu próprio futuro e pelo dos outros.

16 - Assim também será com os adeptos do Espiritismo, pois sua Doutrina é o desenvolvimento e a aplicação do Evangelho. É aos Espíritas que o Cristo também dirige Suas palavras ao dizer: "Eles semeiam na Terra o que colherão na Vida Espiritual. Lá, colherão os frutos de sua coragem ou de sua fraqueza".

O Evangelho Segundo o Espiritismo | Allan Kardec | Por Claudio Damasceno Ferreira Junior | Capítulo 24 | Página 260 | Não Coloquem A Candeia Debaixo do Alqueire

domingo, 4 de setembro de 2016

A Afabilidade e a Doçura


Instruções dos Espíritos

Lázaro - Paris, 1861.

6 - Aquele que ama o próximo é bondoso para com os semelhantes. Essa bondade se manifesta através da afabilidade e da doçura. Entretanto, nem sempre se deve confiar nas aparências. Uma pessoa bem educada e experiente pode parecer possuir as qualidade da afabilidade e da doçura. Muitos apenas fingem ter a bondade. Utilizam-na apenas como uma máscara para uso externo, como se fosse um traje, cuja aparência bem talhada disfarça as deformidades do corpo! O mundo está cheio desse tipo de pessoas que têm o sorriso nos lábios e o veneno no coração; que são mansas desde que nada as incomode, mas que agridem à menor contrariedade; que costumam falar bem quando estão pela frente, mas, pelas costas, suas palavras transformam-se em dardos venenosos.

A essa classe pertencem, ainda, os homens que são bondosos quando estão fora de casa, mas que no lar são verdadeiros tiranos, fazendo com que sua família e seus subordinados suportem o peso de seu orgulho e de sua opressão. Compensam, assim, o constrangimento a que se submetem quando estão fora. Não ousando impor sua autoridade aos estranhos, pois estes os recolocariam em seu lugar, querem, pelo menos, ser temidos por aqueles que não podem dizer: "Aqui eu mando e sou obedecido", sem lhes ocorrer que poderiam acrescentar: "e sou detestado".

Não basta que os lábios falem leite e mel, se o coração nada tem a ver com isso; trata-se de pura hipocrisia. Aquele, cuja afabilidade e doçura não são fingidas, nunca se contradiz. É sempre o mesmo, diante da sociedade ou na intimidade, pois ele sabe que pelas aparências pode enganar os homens, mas não pode enganar a Deus.

O Evangelho Segundo o Espiritismo | Allan Kardec | Por Claudio Damasceno Ferreira Junior | Capítulo 9 | Página 122 | Bem-aventurados os Mansos e Pacíficos

sábado, 3 de setembro de 2016

Injúrias e Violências


Instruções dos Espíritos

1 - Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a Terra (Mateus, 5:4).

2 - Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus (Mateus, 5:9).

3 - Jesus disse para aqueles que O escutavam: "Aprenderam o que foi dito aos antigos: Não matem, e todo aquele que matar merecerá ser condenado pelo julgamento. Porém, Eu digo que todo aquele que se enfurecer contra seu irmão merecerá ser condenado pelo julgamento. E aquele que disser 'Raca' a seu irmão, merecerá ser condenado pelo conselho. E aquele que disser 'És louco', merecerá ser condenado ao fogo do inferno" (Mateus, 5:21 e 22).

4 - Por estes ensinamentos morais, Jesus estabeleceu como Lei a doçura, a moderação, a brandura, a afabilidade e a paciência, condenando, consequentemente, a cólera, a violência e qualquer expressão descortês para com os semelhantes. Racca, entre os hebreus, era uma expressão de desprezo que significava homem inútil, desprezível, e se pronunciava cuspindo e virando o rosto para o lado. Jesus vai ainda mais longe, pois ameaça com fogo do inferno aquele que disser a seu irmão: "És louco".

É evidente que nesta, como em qualquer outra circunstância, a intenção de quem pronuncia as palavras pode agravar ou atenuar a falta. Então, pergunta-se: por que uma simples palavra pode ser tão grave a ponto de merecer uma reprovação tão severa? É porque toda palavra ofensiva expressa um sentimento contrário à Lei do Amor e da Caridade, que deve fazer com que os homens mantenham, entre si, uma relação de concórdia e união. Uma palavra ofensiva, além de alimentar o ódio e o rancor, também é um insulto à bondade e à fraternidade que deve existir entre todos os irmãos. Depois da humildade para com Deus, ser caridoso para com o próximo deve ser a primeira Lei de todo Cristão.

5 - Mas, como entender o significado destas palavras de Jesus: "Bem-aventurados aqueles que são mansos, porque herdarão a Terra", se Ele mesmo havia recomendado renunciar aos bens deste mundo, prometendo os bens do Céu?

Enquanto aguarda os bens do Céu, o homem tem necessidade dos bens da Terra para viver. O que Jesus recomenda é que os bens da Terra não recebam mais importância que os do Céu.

Pelas palavras: "Felizes aqueles que são mansos, porque herdarão a Terra", Jesus quis dizer que até agora somente os violentos se apossaram dos bens terrenos, em prejuízo daqueles que são mansos e pacíficos. Enquanto os violentos possuem em excesso, para os mansos, frequentemente, falta até o necessário. Jesus lhes promete que a justiça será feita "assim na Terra como no Céu", porque os mansos e pacíficos serão chamados de filhos de Deus. Quando a Lei do Amor e da Caridade for a Lei da Humanidade, não haverá mais egoísmo; o fraco e o pacífico não serão mais explorados pelo forte e pelo violento. Assim será a Terra quando, de acordo com a Lei do Progresso e a promessa de Jesus, ela se tornar um mundo feliz em razão do afastamento daqueles que resistem em praticar o bem.



O Evangelho Segundo o Espiritismo | Allan Kardec | Por Claudio Damasceno Ferreira Junior Capítulo 9 | Página 121 | Bem-aventurados os Mansos e Pacíficos

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

O Perdão das Ofensas


Instruções dos Espíritos

Simeão - Bordeaux, 1862

14 - "Quantas vezes perdoarei ao meu irmão?", perguntou Pedro a Jesus. "Você deve perdoá-lo não sete vezes, mas sim, setenta vezes sete vezes." Esse é um dos ensinamentos de Jesus que mais deve marcar a inteligência de vocês e falar bem alto a seus corações. Comparem essas palavras de misericórdia com a prece tão simples, tão resumida e tão grande em suas aspirações, a oração do Pai Nosso que Jesus ensinou a Seus discípulos, e encontrarão sempre o mesmo pensamento. Jesus, o justo por excelência, responde a Pedro: 

"Você perdoará, mas sem limites; perdoará ainda que a ofensa lhe seja feita muitas vezes; ensinará a seus irmão o esquecimento de si mesmo, que os torna invulneráveis às agressões, aos maus tratos e às injúrias. Será doce e humilde de coração, nunca medindo sua mansidão e brandura. Fará aos outros o que deseja que o Pai Celestial faça por você. Não tem Ele, o perdoado sempre? Por acaso, conta as inúmeras vezes que o Seu perdão vem apagar as suas faltas?".

Prestem atenção na resposta de Jesus e, como Pedro, procurem aplicá-la a vocês mesmos. Sejam generosos no amor, isto é, perdoem, usem de misericórdia, sejam caridosos. Deem, e o Senhor lhes restituirá. Perdoem e o Senhor vai perdoá-los. Abaixem-se, e o Senhor os reerguerá. Humilhem-se, e o Senhor fará com que sentem à Sua direita.

Vão, meus bem-amados, estudem e comentem essas palavras que eu dirijo a todos, da parte Daquele que, do alto dos esplendores Celestes, sempre cuida de vocês e continua, com amor, a tarefa ingrata que começou há dezoito séculos.

Perdoem o próximo, pois também precisam do seu perdão. Se vocês são prejudicados pelos atos dos seus irmão, é mais um motivo para serem tolerantes, porque o mérito de perdoar é proporcional à gravidade do mal cometido. Além disso, nenhum merecimento terão, se não perdoarem, sinceramente, seus irmãos pelas pequenas ofensas que eles fazem.

Espíritas, nunca esqueçam que, tanto nas palavras como nas ações, o perdão dos insultos nunca deve ser  uma palavra vazia. Se vocês se dizem Espíritas, então o sejam de fato. Esqueçam o mal que lhes foi feito e pensem apenas em uma coisa: No bem que podem fazer. Aquele que entrou nesse caminho não deve se afastar dele, nem mesmo em pensamento, porque todos são responsáveis por aquilo que pensam e Deus conhece bem o que andam pensando. Cuidem para que todo pensamento seja desprovido de qualquer sentimento de rancor. Deus sabe o que se passa no coração de cada um de Seus filhos. Feliz daquele que, a cada noite, pode deitar-se e dizer: "Nada tenho contra meu próximo".


O Evangelho Segundo o Espiritismo | Allan Kardec | Por Claudio Damasceno Ferreira Junior Capítulo 10 | Página 132 | Bem-aventurados os que são Misericordiosos